Avelino Ferreira, 63 anos, brasileiro, casado, sete filhos, sete netos. Jornalista; escritor; professor de Filosofia.







terça-feira, 22 de maio de 2012

Xuxa em quatro tempos e em versões diversas do Fantástico


Xuxa em entrevista no Fantástico

Mesmo se a apresentadora Xuxa Meneguel, 49, fosse hoje à Justiça para denunciar os abusos sexuais que ela relatou ter sofrido na infância não haveria nenhuma punição possível para quem a atacou. Em entrevista ao "Fantástico" anteontem, Xuxa revelou que foi vítima de violência até os 13 anos (1976). Caso ela oficializasse a acusação de estupro, o crime teria prescrito em 1992.

A apresentadora citou que foi abusada por ao menos três pessoas, mas não disse os nomes. Ela contou que isso ocorreu na infância e na adolescência, especificando apenas a idade em que sofreu o último abuso. Xuxa fez a revelação ao comentar seu engajamento em campanhas contra a palmada e abusos contra menores.

"Eu abracei essas causas todas porque eu vivi isso. Na infância, até a minha adolescência, até os 13 anos, eu vivi isso. Pelo fato de eu ser muito grande, eu chamar a atenção, eu fui abusada."

Os abusos, contou Xuxa, foram cometidos por pessoas ligadas ao seu meio familiar. Um dos agressores, disse, era namorado de sua avó. O outro, o melhor amigo de seu pai. "Que queria ser meu padrinho", declarou. Ela citou ainda um professor. "Não foi uma pessoa, foram várias, em momentos diferentes."

Xuxa diz ter se calado por tantos anos por vergonha. "Me sentia suja, me sentia errada. E, se eu não tivesse a minha mãe, se não tivesse o amor da minha mãe, teria ido embora. Só que eu não falei para a minha mãe, não tinha coragem. A maioria das crianças não fala."

Ontem, Xuxa agradeceu o apoio de fãs no Facebook. E encerrou: "Não me sinto bem falando mais desse assunto".

A ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) afirmou nesta segunda-feira que a apresentadora Xuxa teve uma "atitude de coragem" ao afirmar em depoimento ao "Fantástico", da Rede Globo, ter sofrido abuso sexual "até os 13 anos"


"A atitude da apresentadora representa importante apoio às pessoas que sofreram violência na infância", afirma a ministra em nota divulgada pela assessoria de imprensa da pasta. No depoimento, dado ao quadro "O que Vi da Vida", Xuxa afirmou que um dos abusadores era namorado de sua avó e outro, melhor amigo do seu pai.


A apresentadora disse que o sofrimento a fez querer "lutar pelas crianças". Em nota, a Secretaria de Direitos Humanos ressaltou que Xuxa "é uma das principais parceiras na divulgação" do Disque 100, serviço mantido pelo governo federal para receber denúncias de violações de direitos humanos.


Até abril deste ano, o número recebeu 7.671 denúncias de abuso sexual contra crianças e adolescentes (exploração sexual e/ou outros tipos de violência sexual).

Do site Cenário MT.com.br

Xuxa já fez de tudo nessa vida para alcançar a fama. Não mediu esforços e nos anos 80 era um verdadeiro furacão sexual. Qualquer coisa, estava lá ela de roupas minúsculas, posando nua - ou quase - para revistas como Playboy, Status, Ele & Ela e Manchete.


Mais tarde, quando conseguiu seu programa de TV, Xuxa ajudou a erotizar a infância de muita gente, com suas roupas curtas e paquitas no auge da forma. Deu origem a uma geração de "loiras de sucesso" como Carla Perez e seus subprodutos.


E Xuxa quer esconder esse passado, reprovável segundo seus próprios parâmetros. Ela proíbe que se mostre fotos suas na Playboy e também tirou de circulação o filme Amor, Estranho Amor, no qual seduz um garoto de 14 anos. Como é que a Justiça concede algo assim? As obras existem, Xuxa assinou contratos aceitando participar e não foi forçada a nada. Como é que fica, por exemplo, Walter Hugo Khouri, diretor do filme? Ele não tem o direito de exibir algo que criou? Bizarro.

 
Xuxa vem agora mostrar o seu lado frágil e tira proveito disso para voltar com muita força à mídia, num momento em que está totalmente em baixa na TV. Obviamente que a questão do abuso tem de ser combatido e que ela foi uma vítima, mas há maneiras e maneiras de se fazer isso. O jeito que ela e o Fantástico escolherem parece ter sido a meneira mais fácil.

A atriz Brita Brazil, pelo Facebook, diz que Xuxa não contou a verdade, no Fantástico, de como conmheceu Pelé e dá sua versão: 


Xuxa, a loura (à direita de Pelé)
“Versão original da história de como Xuxa conheceu o Pelé (pode ser que ela tenha se esquecido): Como ela disse na entrevista ao Fantástico, que a capa da “Manchete” era uma loira (ela), uma morena (Luiza Brunet), uma negra e uma ruiva? Como? Eu era a ruiva ou a negra? No final das fotos, ele me chamou pra ver o show da Simone…
Ainda antes de começar o show fiquei visilvemente entediada, pois ele estava cheio de seguranças e pessoas ricas da alta sociedade, o papo era fútil, eu estava quase dormindo na mesa… Então ele disse: quer chamar uma amiga tua, pra te fazer companhia? Eu disse que sim. E, na época, Xuxa e eu éramos amigas. Fui à portaria do Canecão, pois não existia celular, e liguei pra ela. Ela disse que queria vir mas que não podia pagar um táxi pra tão longe (morava em Bento Ribeiro). Eu pedi pra ela esperar e fui perguntar a ele o que faríamos. Ele disse que pagaria o táxi e ela veio.
Nos divertimos muito. Esticamos até o Regine´s (boate famosa na época). No final da noite ainda fui levar a Xuxa em casa. Depois deste dia o Pelé me convidou para jantar algumas vezes. Mas o que me interessava nele era que tomasse uma posição contra o racismo, isto em 1980. Como ele viu que não ia rolar nada mais divertido do que ativismo, perguntou se eu me importaria em dar a ele o telefone da minha amiga loirinha. Eu dei imediatamente.
Logo depois eu me mudei pros States. Quando voltei, encontrei o Pelé na gravação de “Chico City”, e ele me disse q estavam juntos. Fiquei muito feliz por isto. (Na foto da capa da Manchete, Luiza Brunet, uma modelo de Brasilia que não sei o nome, Xuxa à esquerda e eu à direita)”.



ENTREVISTA A PLAYBOY EM 1996

Uma das fotos de Xuxa publicada pela Playboy

A grande repercussão da entrevista no Fantástico em que Xuxa contou dos abusos sexuais que sofreu quando adolescente – inclusive do melhor amigo do pai — me fez recordar de um caso na mesma linha que ela contou na entrevista principal da edição de agosto de 1996, celebrando o 21º aniversário de Playboy, revista de que eu era diretor de Redação.
A longa e reveladora entrevista foi realizada pelo jornalista Guilherme Cunha Pinto, o “Jovem Gui”, profissional de primeiríssima, dos melhores com que convivi, e amigo querido, que teve morte precoce e absurda, naquele mesmo ano. E traz um episódio grave, ocorrido durante a ditadura. Xuxa ainda não tinha 18 anos quando sofreu assédio sexual de um general graduado, num episódio que incluiu limusine posta à disposição e vigia na porta de um hotel.
Leia o trecho da entrevista sobre esse episódio:

Ingênua do jeito que era, como você enfrentou o assédio que deve ter acontecido depois que virou sex symbol? Houve inclusive um episódio dramático em Cleveland, nos Estados Unidos, que até hoje nunca ficou muito bem explicado. Como foi aquilo?
XUXA — Fui chamada para fazer umas fotos nos Estados Unidos, em janeiro ou fevereiro de 1980. Lembro da data porque estava para fazer 18 anos. Meu pai teve de assinar uma autorização, uma pessoa levou o contrato até em casa, no Grajaú, depositaram no banco 50% do valor e eu viajei.
No avião conversei com um militar brasileiro que me perguntou o que eu ia fazer em Cleveland. Disse que ia fotografar e ele estranhou. Me deu um cartão com o telefone dele e o nome de uma secretária. Falou: “Se precisar de alguma coisa, entre em contato comigo.” Cheguei e tinha uma limusine me esperando, com um motorista brasileiro. Eu estava toda feliz na limusine, pulando de um banco para o outro.
Falei alguma coisa com o motorista e ele perguntou: “Você sabe por que está aqui?”
Respondi: “Vou fotografar.”
Ele riu: “Te disseram que é pra fotografar? Olha, é bom saber: acho que não é isso não.”
Fiquei com um pouco de medo, mas estava me divertindo tanto… Chegando no hotel, ele perguntou se eu queria alguma coisa, e comprei um monte de pipocas, de vários sabores, e muitos doces. Quando cheguei ao quarto, tinha um guarda na porta, fardado.
O motorista disse: “Pronto. Está entregue.”
Me explicou que eu iria receber uma visita às 4 da tarde e que não poderia sair até lá. O guarda ficou do lado de fora, sem dizer uma palavra. Eu queria tomar banho, mas não achava a água quente. Abri a porta, para ver se o homem me ajudava, mas ele não se mexia. Eu disse: “O senhor não pode entrar pra arrumar o meu chuveiro? O senhor fala português?”
O motorista acabou me ligando para me alertar que não haveria foto nenhuma e que um militar graduado iria entrar no quarto. Comecei a chorar, desesperada, mas não consegui ligar para a minha família no Brasil. Estava num terceiro andar. Pensei: “Meu Deus, vou pular daqui!”
Aí me lembrei de ligar para aquele outro militar, que tinha me dado o cartão no avião. No cartão tinha o nome da secretária, Bárbara. Liguei e ela atendeu: “Bárbara?”, perguntei. Ela disse: “É.” Comecei a chorar: “Pelo amor de Deus…” Ela perguntou a minha idade. Eu disse: “Quase 18.” Ela falava: “Calma, Calma.”

Em 1980 estávamos no fim da ditadura. Hoje, passados dezesseis anos, você pode dizer o nome desse militar que chegaria às 4 da tarde em seu quarto?
XUXA — Não tive contato com essa pessoa. Não sei se o motorista falou o nome certo. Não posso falar uma coisa que não tenho certeza.
Mas era uma pessoa ligada ao governo do então presidente João Figueiredo?
XUXA - Como assim, uma pessoa do governo? Era um militar. E foi um outro militar que me tirou de lá…
Sim, o governo estava cheio de militares. Esse que ia chegar [a seu quarto] era ministro?
XUXA - Bá, não vou dizer o nome. Era um militar.
Do alto escalão?
XUXA - Alto escalão, mesmo. Cheio de estrelona.
Está vivo?
XUXA - Não sei. [Rindo, com ar impaciente.] Não sei se está vivo. Não vou falar mais sobre isso.

(Sobre matéria da Folha de São Paulo, site cenariomt.com.br e site AGORA, a notícia levada a sério e página do Facebook de Brita Brazil)

2 comentários:

Anderson Felix disse...

Obrigado pelo material. É sempre bom ver o outro lado.

A Língua! disse...

Conheçam mais "coisas" sobre a Xuxétchhhh, a garotinha traumatizada por sexo no meu blog.
http://alingua.blogspot.com.br/2012/05/xuxetchhh-rainha-dos-baixinhos.html