Avelino Ferreira, 63 anos, brasileiro, casado, sete filhos, sete netos. Jornalista; escritor; professor de Filosofia.







segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Campos Atlético comemora 101 anos com Afonsinho

 Afonsinho e o presidente do Campos, Márcio
 Wesley Machado presenteou Afonsinho com dois livros
 Afonsinho ainda joga ... e bem
 Os dois times antes do jogo no domingo
(Fotos: Check)

Afonsinho mostra categoria em pelada no campo do Campos
Uma tarde memorável. Assim pode ser descrito o dia de domingo (27) no Campos Atlético Associação, que encerrou a programação do aniversário de 101 anos de fundação comemorado na véspera, com uma tradicional “pelada”, que teve a presença ilustre do craque Afonsinho, que desfilou sua elegância em campo num jogo formado por vários ex-jogadores da cidade. A partida terminou com a vitória do time de Afonsinho pelo placar de 1 a 0, graças a um golaço marcado no finzinho por Jô, onde a bola bateu no travessão e caiu dentro do gol.

Afonsinho comentou sobre o carinho especial que nutre pelo Roxinho. “Eu tenho uma filha chamada Violeta. O Roxinho marcou minha carreira. Pois quando consegui o passe, tinha de ter um time para jogar. Joguei uma partida na Bahia e esta aqui em Campos em 74 contra o Palmeiras. Até hoje fico pensando, como conseguiram trazer o Palmeiras com o time completo? Foi um grande feito para a época”, afirmou o craque.

O capitão do Botafogo Campeão da Taça Brasil de 1968 comentou sobre o problema que teve com Zagallo. “O Zagallo era um cara muito fechado. No meio, ele gostava de jogar com um pela esquerda, um armando e um na marcação. O Carlos Roberto subiu dos juniores e para o Zagallo não dava para jogar eu e o Gérson (“Canhotinha de Ouro”). Então, fui barrado. Aí eu tive propostas do Santos, do São Paulo. E não queriam deixar eu sair. Foi aí que eu comecei a lutar para ter o passe”, disse Afonsinho, que acabou emprestado para o Olaria, que montou um grande time.

Afonsinho voltaria ao Botafogo, passaria pelos outros quatro grandes do Rio, Flamengo, Fluminense e Vasco. E jogaria ainda com Pelé no Santos. Afonsinho é paulistano, mas se mudou ainda novo para Marília, depois foi para Jaú, onde começou a jogar futebol. Não se considera ex-jogador, pois não encerrou a carreira. Continua na ativa por meio dos jogos da equipe fundada por ele, o Trem da Alegria, que já teve jogando craques como Garrincha e Nilton Santos e artistas do quilate de Paulinho da Viola, Raimundo Fagner e Moraes Moreira. Afonsinho sugeriu que seja realizada uma partida do Trem da Alegria em Campos.

O jornalista Wesley Machado, colaborador do Roxinho e que intermediou a vinda de Afonsinho a Campos, contou que para 2014 estão programando a vinda do master do Palmeiras. “Foi uma ideia do diretor de futebol da Liga Campista de Desportos, Wilson Carlos, que ajuda muito o clube. Inclusive foi ele, mediante uma sugestão minha, que mandou fazer as camisas retrôs do Afonsinho. Como ano que vem é centenário do Palmeiras e 40 anos do amistoso de 74, estamos planejando mais  este evento, que deverá integrar a programação da Festa do Santíssimo Salvador”, informou Wesley.

Outro resultado da visita de Afonsinho a Campos foi que Afonsinho, que é muito bem relacionado com Chico Buarque, convidou Wesley, com quem fez amizade, para visitar o campo de Chico no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. Wesley deu uma camisa do Campos a Afonsinho para entregar a Chico, mas Afonsinho achou melhor que o próprio desse pessoalmente a camisa. Wesley já convidou o amigo escritor Márcio de Aquino, que sabe tudo de MPB, para acompanhá-lo na visita ao ídolo. Chico que tem um time, o Politheama. Acompanhando Wesley e Márcio ao Rio, irá o folclórico fotógrafo Jocelino Rocha, o Check, que afirma ter mais de 1000 gols na carreira. A viagem, que ainda não tem data definida, promete render boas histórias.
(Matéria enviada por Wesley Machado)

Dona Iris e seus 80 anos com a família

A neta Flora pede a ganha o primeiro pedaço de bolo de 
Dona Iris, nas comemorações de seus 80 anos

Dona Iris e os filhos Ricardo, Alciene, Alcineia, Alcimar e eu 

Dona Iris e os netos Rafael, Diogo, Flora, Leo, Sophya, Vitor e Ian

Dona Iris e os bisnetos Clara, Maria Cecília,
Melissa, Gabriel. Leonardo Valentina e  Laura

Dona Iris e as noras e esposas dos netos 
Daiana, Alice, Natasha, Viviane, Sandra e Paula

Dona Iris o o amigo da família há décadas, Edgar
 
Flagrante do almo na varanda de Dona Iris
 

Os 80 anos de Iris Ferreira Avelino, esteio da família Avelino, foi comemorado dia 27. domingo, embora seu aniversário tenha sido dia 23. Não compareceram a filha Leila, as netas Kalinka, Maria e Anna Carolina (chegaram depois). Fabian, Juliana e Vladmidir. Os bisnetos Karinna, Victor Hugo, João Pedro, Letícia, Yohann e Yasmin. E o agregado, namorado de Carolina, Jefferson.

Foi um dia muito alegre para minha mãe, que recebeu a maior parte da família, flores, um bolo sem velas. Muitos abraços, beijos, parabéns e conversa. Muita conversa. Um dia memorável.Como os fotógrafos estacam sendo fotografados, Ian e Alcineia flagraram alguns momentos.

sábado, 26 de outubro de 2013

O goleador Washington e o campeão de 68, Afonsinho, em Campos, hoje

Afonsinho e Washington “Coração Valente” neste fim de semana em Campos

Recebi do meu amigo Wesley, a matéria abaixo: 
O aniversário de 101 anos de fundação do Campos Atlético Associação, o Roxinho, será comemorado neste sábado, dia 26/10. E para abrilhantar a festa, o clube do Parque Leopoldina, receberá a presença de figuras ilustres do futebol. Um das antigas e um mais contemporâneo.

Afonsinho, o 1º jogador a lutar o obter o passe livre e que disputou um amistoso pelo Campos, tendo marcado um gol, contra o Palmeiras em 1974; estará no clube no domingo (27) para o lançamento de uma camisa retrô em homenagem a ele, às 10 horas. Às 12 horas, Afonsinho ao lado de Nei Conceição, com quem foi campeão da Taça Brasil de 1968 pelo Botafogo, disputará uma pelada.

Washington “Coração Valente”, que foi artilheiro do Brasileirão de 2004 pelo Atlético Paranaense, marcou gols decisivos pelo Fluminense na Libertadores de 2008 e se aposentou em 2011 por conta de um problema cardíaco, ministrará uma palestra motivacional para os alunos das escolinhas do Roxinho e do Fluminense no Campos Atlético, sábado (26), às 14 horas. Este evento terá entrada gratuita.

A programação terá ainda torneio de futebol nas categorias sub-11 e sub-13, com os times do Campos, Goytacaz, Fluminense e Espanyol de Barcelona, no sábado e no domingo, dias 26 e 27, a partir das 8 horas. 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Alunos de Ururaí e Caxeta no Bonde da História, Estação Câmara

O projeto de visitação à Câmara, denominado Bonde da História, Estação Câmara, para alunos das redes públicas e privadas do município, tem levado centenas de crianças e jovens do sexto ao nono ano de escolaridade até o terceiro ano do ensino médio a conhecer um pouco da nossa história, principalmente do Legislativo, que completará em dezembro 361 anos de existência.

Sob a orientação e monitoramento da educadora e historiadora Sylvia Paes, das educadoras Nana Rangel, Marilene Merlim e Dilcéa Smiderle, todas as quintas-feiras, em ônibus confortáveis e transmissão pelo canal da Câmara, o 152 da VerTV (NET), os alunos recebem um livreto com fotos e históricos dos prédios que visitam na Praça São Salvador e no quadrilátero do Liceu. Conhecem os prédios anteriores da Câmara e o atual, o Palácio Nilo Peçanha e assistem uma palestra sobre o papel do vereador e do Legislativo na comunidade.

Hoje pela manhã participaram do projeto alunos, diretores e professores do Ciep João Borges Barreto. À tarde, foi a vez dos alunos e professores  da Escola Municipal Manoel Pereira Gonçalves, da localidade de Sentinela do Imbé, em Caxeta. 

Interessante é que, ao percorrer as instalações do Palácio Nilo Peçanha, os estudantes identificaram a foto do ex-vereador Manoel Antônio Pereira Gonçalves, na galeria dos presidentes do Legislativo. Ele, que foi presidente interino da Câmara no ano de 1952, deu nome à escola.  

Os alunos vieram acompanhados da diretora Valéria Chagas Pinto e da professora Nelcimar Pinheiro de Aguiar.  A diretora contou que conheceu  o  projeto através de uma assistente social da escola. “Ela nos inscreveu e fiquei muito feliz .  Vou falar do projeto para minhas amigas diretoras e incentivá-las a visitar a Câmara também”.

A aluna Ana Paula Bernardo Silva, 15 anos, disse que a beleza do Palácio Nilo Peçanha foi o que mais a impressionou. “É muito bonito”.

 Fotos: Check
Alunos do Ciep de Ururaí na escadaria da Câmara

No plenário, assistindo a palestra de Dilcea Smiderle

 de Dilcea Smiderle

e ouvindo Avelino sobre a história de Ururaí 

(Fotos: Check)
Alunos da escola municipal de Caxeta
Os alunos com Marilene e Dilcea
 
Visitando a galeria dos presidentes
 
Ouvindo a professora Marilene Merlim



quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Câmara homenageia Lira Guarany pelos seus 120 anos

Edson Batista realiza sessão para homenagear Lira Guarany
 
E pede a Albertinho que entregue uma placa pelos 120 anos
 
da banda, que tocou algumas músicas, sob a regência de Ézio
 
que também preside a entidade desde 2010. Antes de entrar
 
na Câmara, a Lira Guarany apresentou-se do lado externo
 
Avelino e Ézio Amaral durante a solenidade no Legislativo

Ao homenagear os 120 de fundação da Associação Musical Lira Guarany, em sessão especial nesta quarta-feira (23), o presidente da Câmara de Vereadores de Campos, vereador Edson Batista, ressaltou que poucas são as instituições que conseguiram tamanha longevidade.
 “A Câmara não vai limitar esforços para o engrandecimento da associação. Sentimos orgulho em receber os membros da Lira. Não poderíamos deixar de reconhecer publicamente o trabalho desenvolvido pela associação”, disse o presidente, que propôs a sessão especial.
O presidente da Lira, maestro Ézio Ribeiro do Amaral recebeu das mãos do vereador Carlos Alberto Marques Nogueira “Albertinho”  uma placa comemorativa. Ézio disse que quem passa pelo prédio da Lira, na Rua 13 de Maio, não tem ideia da dificuldade que é mantê-lo aberto.  “Os músicos são guerreiros”, afirmou.
Ele disse que a banda é composta por 35 músicos, sendo duas mulheres. Entre os jovens estão Lucas Ribeiro Pelicioni e Matheus dos Santos, ambos com 14 anos e há três anos na Lira. Lucas toca trompete e Matheus clarinete.  “Tenho paixão pela música”, afirmou Matheus, ao ser indagado do porquê de aprender música.
Em agradecimento à homenagem, os músicos fizeram quatro apresentações, entre elas “parabéns a você”. O nome da corporação musical surgiu após discussões para sua formação em 1893 e é uma homenagem a Carlos Gomes, autor da ópera “O Guarany” e ao escritor José de Alencar, que escrevera um romance homônimo.
Sua primeira formação ocorreu com músicos da Orquestra Carlos Gomes e a Lyra Plutônica, tendo como primeiro presidente o Sr. Joaquim Alexandre da Silva. Em 1896 a diretoria conseguiu um terreno na Rua 13 de Maio, onde está até hoje, construindo ali sua sede própria. Em 1967, já com o prédio em ruínas, a diretoria, tendo na presidência Willes Bolckau, decidiu derrubar o prédio para a construção de um novo.
 Após 18 anos de muito esforço e sacrifício, segundo Ézio Amaral, com material doado e mutirões para sua construção, surge o majestoso edifício da Lira. Willes permaneceu à frente da entidade por 21 anos. Em 2010 foi eleito presidente, o suboficial Bombeiro Militar e músico, Ézio Amaral. Patrimônio de Campos, a Lira é formadora de centenas de músicos.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Lira Guarany completa amanhã 120 anos



A Corporação (hoje, Associação) Musical Lira Guarany completa amanhã, dia 22 de outubro, 120 anos de existência e, para comemorar a ocasião o maestro e regente Ézio Ribeiro do Amaral está programando uma grande festa em sua sede própria que ele luta com muita dificuldade para manter, mas que é um patrimônio de Campos.

A Câmara de Vereadores de Campos, por iniciativa do Dr. Edson Batista, vai realizar uma sessão especial na próxima quarta-feira, às 16:30h para prestar uma homenagem à Lira, pelos seus serviços prestados à comunidade nesses 120 anos. 

O nome da corporação musical surgiu após discussões para sua formação em 1893 e o nome foi uma homenagem a Carlos Gomes, autor da ´ópera O Guarany e ao escritor José de Alencar, que escrevera um romance homônimo. Sua primeira formação ocorreu com músicos da Orquestra Carlos Gomes e a Lyra Plutônica, tendo como primeiro presidente o Sr. Joaquim Alexandre da Silva.

Em 1896 a diretoria conseguiu um terreno na rua 13 de Maio, onde está até hoje, tendo ali construído sua sede própria. Em 1967, já com o prédio em ruínas, a diretoria, tendo na presidência Willes Bolckau, decidiu derrubar o prédio para a construção de um novo. Após 18 anos de muito esforço e sacrifício, segundo Ézio Amaral, com material doado e mutirões para sua construção, surge o majestoso edifício da Lira. Willes permaneceu à frente da entidade por 21 anos. Em 2010 foi eleito presidente o suboficial Bombeiro Militar e músico Ézio Ribeiro do Amaral. 

Patrimônio de Campos, formadora de centenas de músicos, com um excelente elenco de músicos, sendo muitos jovens que frequentam a escola que,  com todas as dificuldades, a Lira mantém , a Associação Musical Lira Guarany festeja seus 120 anos.   

domingo, 20 de outubro de 2013

Delcio Carvalho, Zez´pe Mota e Aluizio Machado serão homenageadops pela Câmara



Por iniciativa do presidente da Câmara de Vereadores de Campos, Edson Batista, a Mesa Diretora do Legislativo vai prestar homenagem a diversos compositores e cantores que projetaram Campos no Brasil e em parte do mundo, como Zezé Motta (que nasceu em Barcelos), Delcio Carvalho, Aluizio Machado, Jurandir da Mangueira, Sebastião Mota, José Ramos e Roberto Ribeiro. 

Todos receberão a comenda Wilson Batista, instituída neste ano em que se comemora seu centenário de nascimento. A solenidade ocorrerá no dia 06 de novembro, às 17 horas, na Sessão da Câmara. Em seguida, Jardel do Cavaco e Helena Rangel, sob a batuta do arranjador e músico Renato Arpoador e um grupo seleto de músicos, interpretarão duas músicas de cada um dos homenageados. Zezé Motta diz que vai brindar os presentes cantando uma música.

O organizador do evento, jornalista Chico de Aguiar, diz que será uma noite inesquecível, porque será a primeira vez que haverá o reconhecimento público, com uma comenda do Legislativo campista, a essas personalidades, algumas já falecidas. E, também, a primeira vez que o samba, tornado bem imaterial, terá o Legislativo como palco. 

Mas ontem Chico estava muito triste, porque é provável que Delcio Carvalho não possa vir pessoalmente receber sua comenda, já que foi internado na última sexta-feira e acredita que seja um câncer no estômago.
Delcio Carvalho, dia 28 de setembro, fez um show no Candongueiro, em Niterói, e no dia seguinte, esteve na primeira fila na plateia de Tonico Pereira, no encerramento da temporada da peça O homem Travesseiro, no Teatro Dulcina, no Centro do Rio.

Mas, na sexta-feira foi submetido a uma cirurgia e ainda está internado. Bertha, sua esposa, disse que, se tudo correr bem no pós-cirurgia, ele vai para o quarto amanhã, segunda-feira. Esperamos que ele se recupere e possa estar entre nós na homenagem da Câmara.

sábado, 19 de outubro de 2013

Operário em construção em homenagem a Vinícius

 O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO
O poema O operário em construção, escrito por Vinícius de Moraes em 1956, como homenagem neste dia 19, que marca o centenário do nascimento do "poetinha".


 Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as asas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.


De fato como podia
Um operário em construção
Compreender porque um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento


Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse eventualmente
Um operário em construção.
 

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa 

E a coisa faz o operário.
 

De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão
Era ele quem fazia
Ele, um humilde operário
Um operário em construção.


Olhou em torno: a gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.


Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.


Foi dentro dessa compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Exercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.


E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava. 


E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia "sim"
Começou a dizer "não"
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uisque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.


E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução


Como era de se esperar
As bocas da delação
Comecaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação.
- "Convençam-no" do contrário
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isto sorria.


Dia seguinte o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu por destinado
Sua primeira agressão
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!


Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras seguiram
Muitas outras seguirão
Porém, por imprescindível
Ao edificio em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.


Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo contrário
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher
Portanto, tudo o que ver
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.


Disse e fitou o operário
Que olhava e refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria
O operário via casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!


- Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.


E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construido
O operário em construção

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Alunos do Ciep de Travessão e do Thiers Cardoso no Bonde da História

 Foto Check
Alunos (e professores) do Ciep Luis Carlos de Lacerda
 
Nesta quinta-feira (17), o Bonde da História – Estação Câmara passou pelos Colégios Estaduais Ciep 268 Luís Carlos de Lacerda e Dr. Thiers Cardoso para levar seus alunos a uma viagem histórica por pontos importantes da cidade de Campos. Ao final, todos foram até ao Palácio Nilo Peçanha, sede da Câmara de Vereadores, para uma aula de cidadania e conhecimento sobre a política e o funcionamento entre a instituição e os outros poderes.

Pela manhã, os alunos do Ciep 268 do 6° ao 9°ano puderam conhecer um pouco mais sobre a cidade onde vivem. “O aprendizado como passar por estes pontos históricos de Campos é muito interessante e vai muito além da sala de aula. Chama muito mais a atenção do aluno. Fiquei feliz em poder trazê-los ao passeio que nossa professora de História indicou”, disse a coordenadora pedagógica da escola, Bianca de Azevedo Silva.

Feliz em poder levar mais uma escola para participar do projeto, a professora de História, Ana Leiva, ressaltou o interesse dos alunos. “Li sobre o projeto do Bonde da História pela imprensa e procurei saber como participar. Trouxe uma outra escola e pude perceber como eles ficaram interessados em saber um pouco mais sobre sua cidade. É uma grande novidade saber mais sobre a história de Campos e ter uma aula de cidadania dentro da Casa de leis”.

Vereador com base eleitoral no distrito de Travessão, Ozéias Martins, falou aos alunos sobre a importância do professor. “Estudei na Escola Estadual Nelson Pereira Rebel, de Travessão, e tive a oportunidade de homenagear alguns professores de lá, em nome de toda a classe. Parabenizo a todos os professores, pois eles são a base de sabedoria de todos”.

Ozéias lembrou de alguns de seus requerimentos e indicações. “Tenho orgulho de representar Travessão e todo o município como vereador. Ouvindo a população, busquei melhorias para o transporte, a ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto, o apoio para a construção da Vila Olímpica, além da ampliação do hospital local”.

Após a aula no plenário, a estudante do 8° Ano do Ciep, Geicyellen Pinto da Rosa, tirou suas próprias conclusões. “Olhando de fora pensava que os vereadores eram todos iguais e que poucos atendiam à população. Hoje vi que eles trabalham muito, muito além das duas sessões na semana. O prédio da Câmara é muito movimentado com pessoas trabalhando o dia inteiro para ajudar os vereadores em suas tarefas. Eles realmente são a nossa voz na Câmara”, disse.

THIERS CARDOSO

Na parte da tarde, foi a vez dos alunos do 1º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Dr. Thiers Cardoso, no Turf Clube, sob a coordenação da Coordenadora pedagógica Sandra Fernandes, participarem do projeto cultural “Bonde da História: Estação Câmara”. O diretor geral da Câmara, jornalista Avelino Ferreira, disse aos alunos que o plenário do Legislativo é um dos teatros mais bonitos, onde cada vereador defende as suas propostas e idéias.

“Alguns, por ideologia, acreditam naquilo que estão defendendo. Mas o povo não vota por ideologia, mas por interesse, o que até pode ser bom”, explicou ele, destacando que os vereadores têm muito trabalho para analisar projetos que são encaminhados pelo Executivo, além de propor indicações e requerimentos, bem como elaborar seus próprios projetos para defendê-los em plenário, visando sua aprovação pelos colegas.

Já o vereador Fred Machado disse que a política está desacreditada no país, mas é preciso saber diferenciar o político que serve e o que não serve. “Ao invés de obrigatório, o voto deveria ser consciente. Ninguém que ocupa um cargo público faz favor quando cumpre o que prometeu na campanha”, afirmou Fred, destacando que existem vereadores da situação e da oposição.

“Sou oposição com outros três vereadores, mas isso não significa que quando o governo faz algo bom, a gente vai ser contra. Todos os  vereadores têm papel importante. Estamos aqui para fazer as leis e fiscalizar o Executivo”.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Edson Batista recebe o deputado Geraldo Pudim

 Edson Batista recebe o deputado Geraldo Pudim (foto: Check)

O presidente da Câmara de Vereadores de Campos, vereador Edson Batista, recebeu na manhã de ontem segunda-feira (14), em seu gabinete, a visita do deputado estadual Geraldo Pudim. Durante a reunião, foram discutidas a necessidade de investimentos estaduais na área da saúde e a atenção ao problema do transporte público intermunicipal.

Sobre o Plano de Urgência e Emergência da Região Norte, estabelecido através de um estudo realizado pela Secretaria Estadual de Saúde, o presidente da Câmara, solicitou empenho do parlamentar para agilizar as necessidades impostas pelo documento. “Precisamos do apoio do deputado para que possamos viabilizar estes investimentos necessários para a região e que são de responsabilidade estadual”.

Este estudo estabelece as diretrizes para os investimentos estaduais na área, como mais um leito de UTI e mais três Unidades de Pronto Atendimento 24h (UPA). “Além disso, a proposta é de que o Hospital Escola Álvaro Alvim e a Santa Casa de Misericórdia sejam considerados hospitais de referência para receber pacientes com infarto agudo do miocárdio e, para isso, precisam receber dois leitos de Unidade de Terapia Intensiva Coronariana (UCO)”, explicou o presidente do Legislativo.

Ele também lembrou outro ponto de responsabilidade estadual. “De acordo com este estudo, a região Norte Fluminense apresentou a incidência de 512 casos de Acidentes Vasculares Cerebral (AVC), entre julho de 2013 e junho de 2012. Portanto, de acordo com a Portaria n° 665/2012, a região apresenta a necessidade de habilitação de 13 leitos em Unidade e Cuidado Agudo ao AVC (U- AVC Agudo). Foram indicados para receber estes leitos o Hospital Escola Álvaro Alvim e a Sociedade Portuguesa de Beneficência”, disse.

Sobre o transporte intermunicipal de passageiros, a solicitação foi para que o setor seja regularizado. “Uma empresa de transporte coletivo possui o monopólio há muitos anos. Além disso, as concessões estão vencidas e com isso o trabalhador que precisa trabalhar em outra cidade está sendo prejudicado. Não só ele, mas todos que precisam utilizar o transporte intermunicipal estão sendo prejudicados, com passagens a preços altos, ônibus sucateados e problemas nos horários entre os municípios-polo e as cidades  menores onde moram esses trabalhadores”, concluiu o presidente da Câmara de Campos.

sábado, 12 de outubro de 2013

Meu sangue doce para os problemas

Tenho sangue doce para os problemas com o Judiciário. Na semana passada fiquei por três horas, com meu advogado, o Dr. Luis Henrique, em frente a um promotor e o juiz de Italva. O promotor queria (quer) a minha prisão e um pagamento de multa porque escrevi um artigo criticando o então prefeito de Italva, em 2012. 

Segundo o promotor, meu artigo, reproduzido e distribuído na cidade, mudou o resultado do pleito e o prefeito, candidato a reeleição, perdeu para Leonardo Guimarães e Glycério Rocha, candidatos que apoiamos.

Como não sou réu primário, o promotor quer me ver atrás das grades... um absurdo que me fez refletir sobre a obra de Kafka O Processo. Fui absolvido pelo juiz, mas o promotor vai recorrer ao Tribunal. Pensei em fazer um artigo sobre a ação e atitude do promotor, mas meu advogado sugeriu que eu não desse corda ao rapaz, que precisa aparecer e quer me usar. 

Não sei quantos processos já respondi no Judiciário por conta de artigos em jornais. Foram dezenas. Também não me lembro de quantas vezes já apanhei da polícia por defender o que considero justo, por defender a comunidade e algumas categorias de trabalhadores. Outras vezes, porque falei contra a opressão. 

Não sou uma figura importante. Afora a Fundação Cultural e, agora, a Câmara Municipal, nunca exerci cargo público. Nunca tive dinheiro. Nunca baixei o nível de uma discussão. Evito ao máximo constranger as pessoas, mesmo adversárias.Não sou puxa-saco nem adepto da fofoca. Pertenço a um grupo político desde sempre, numa linha que, com erros e acertos, não saí pela tangente. 

Por que, então, me pergunto, essas perseguições, essa vontade de alguns (ou muitos?) de me tirar a liberdade? 

Tenho me calado (o que me dói bastante) para evitar mais problemas. Só que não está adiantando. Esta semana fui, com o advogado Luis Henrique, à Vara Criminal Especial. Motivo: Crime de desobediência. Ao olhar o processo, o advogado mostrou que não houve desobediência nenhuma. O juiz é que não leu o processo e não viu o que deveria ver. E já fui avisado que há outro processo contra mim em outra Vara Criminal. Pode?