Avelino Ferreira, 63 anos, brasileiro, casado, sete filhos, sete netos. Jornalista; escritor; professor de Filosofia.







terça-feira, 31 de março de 2015

Câmara de Campos é uma das que menos gasta no Estado

A Câmara Municipal de Campos é uma das que detém menor gasto per capita (por habitante) entre as câmaras municipais fluminenses. Com um orçamento de R$ 27,4 milhões e um gasto de R$ 57,61 por habitante, o Legislativo campista aparece na 67ª  posição, segundo publicação da Revista Finanças dos Municípios Fluminenses.
Com esta colocação, a casa legislativa está entre as 25 câmaras de menor despesa per capita do Estado, sendo a primeira dos municípios da Bacia de Campos com menor gasto per capita.
Os dados são de 2013, segundo a revista, que fez o estudo com base em números de órgãos oficiais como a Secretaria Nacional do Tesouro, IBGE, sistemas de informações e órgãos de controle.
Para o presidente da Câmara, Edson Batista, o resultado é fruto da política de austeridade implantada após assumir o comando do Legislativo.
“Fizemos isso com o apoio de todos os vereadores, aprovando uma reforma administrativa que permitiu inclusive arcar com uma dívida de R$ 500 mil da gestão anterior. Também criamos mecanismos de participação e acesso à informação da sociedade, como as audiências públicas constantes, o Portal da Transparência, a Escola Municipal Gestão Pública e a TV Câmara, entre outras ações”, explicou.
De acordo com Edson Batista, outro mecanismo de controle dos gastos tem sido o registro de preços, modalidade que reduz em 20% os custos dos insumos e serviços de manutenção do Legislativo.
“A Câmara não tem depósito ou almoxarifado para guardar essas mercadorias, então optamos pela compra através do registro de preços, que permite a aquisição por preços mais em conta, evitando maiores gastos”, explicou.
Entre os municípios do interior com maior gasto per capita destacam-se Porto Real, no Sul Fluminense (R$ 712,22), Macuco (R$ 276,09), Mangaratiba (R$ 270,64) todos com gastos superiores a R$ 200 per capita.
O anuário Finanças dos Municípios Fluminenses reúne números referentes a receitas, despesas, resultado orçamentário, quota-parte municipal no ICMS, FPM, Royalties, ISS, IPTU, ITBI, taxas, pessoal, custeio, investimentos, juros e amortização da dívida, despesas e contas de legislativos municipais, educação, saúde e assistência social. A edição está disponível para consulta pelo linkhttp://www.aequus.com.br/anuarios_rj.html.
Faltou constar Macaé, que é o 6º maior em gasto per capta (Campos é o 67º) e, em valores globais, Macaé teve de orçamento em 2014, mais de 60 milhões, contra os 27,4 milhões de Campos, que conta com 25 vereadores e Macaé, 18. 
(Sobre matéria do site da Câmara)

Os anos de chumbo - para o 1º de abril

Véspera do golpe de 1º de abril, decidi reproduzir aqui o texto abaixo, de 2009, para esclarecimento do que foi a ditadura militar no Brasil. Em verdade, um texto para jovens estudantes, genérico, mas importante para quem se interessa por nossa história recente.

sábado, 4 de abril de 2009

(texto do professor Avelino Ferreira para aula)

O golpe militar no Brasil, em 1º de abril de 1964, havia sido preparado anos antes. Documentos liberados pelos americanos 30 anos depois daquela data revelaram as manobras da Central de Inteligência Americana, a famosa CIA, para desestabilizar o Governo de João Goulart e criar as condições para o golpe e a tomada do poder. Centenas de jornalistas, escritores e sociólogos foram contratados para desencadearem uma campanha de desestabilização do Governo e muitos políticos receberam apoio para, eleitos, defenderem os interesses americanos. Para apoiar o golpe, caso houvesse resistência por parte da população e/ou Governo, os americanos prepararam os mariners (soldados bem armados que, afinal, não foram usados justamente pela não reação das forças democráticas aos golpistas).

Os próprios americanos, 30 anos depois, escreveram muitos livros, baseados em documentos, sobre as manobras patrocinadas por eles para desestabilizarem João Goulart. Historiadores brasileiros e jornalistas também tiveram acesso a essa documentação e escreveram muitos livros sobre o golpe e suas consequências. A própria TV Globo, que nasceu apoiada pelos americanos e pelos militares brasileiros que desejavam derrubar a TV Tupi, considerada nacionalista, passou a denominar de Golpe de Estado o movimento militar de 1964, que até o início da década de 1990 era, para ela, uma Revolução, como se o povo é que tivesse derrubado o Governo.

Os americanos precisavam dominar o Brasil

O que os americanos (com industriais, latifundiários, banqueiros e empresários brasileiros aos quais se aliaram) desejavam era o controle do maior país da América Latina. Para isso, precisavam evitar as reformas de base (reforma agrária, reforma na educação etc.) Na verdade, eles tentaram controlar o Brasil desde o segundo Governo Vargas (1951/1954). Vargas suicidou-se. Tentaram desestabilizar Juscelino Kubitscheck e quase conseguiram. Forçaram a renúncia de Jânio Quadros seis meses após ele ter assumido a Presidência da República, em 1961. Naquele momento, impediram a posse do vice, João Goulart que só assumiu porque Leonel Brizola, com apoio do III Exército (sediado no Sul), resistiu e pegou em armas para defender a Constituição. Mas Goulart, para assumir, teve que aceitar uma Emenda Constitucional que criava o Parlamentarismo, regime pelo qual o presidente é figura decorativa. Chefe de Estado, mas não Chefe de Governo. No Parlamentarismo quem governa é o Congresso, através de um Primeiro Ministro indicado pelos deputados.

Com a campanha liderada pelo Brizola (que veio para o Rio de Janeiro, se elegeu deputado e percorreu o país unindo o povo em torno da proposta de um plebiscito no qual a Nação diria SIM ou NÃO ao Parlamentarismo) o povo foi às ruas e votou contra a Emenda Parlamentarista. Goulart reassume a chefia do governo com plenos poderes. Mas ao anunciar as reformas (até hoje necessárias, exigidas e não concretizadas) os militares desfecharam o golpe, apoiados pelo governador de Minas Magalhães Pinto e o governador do então Estado da Guanabara, Carlos Lacerda. Os americanos estavam por trás de todas as articulações. Temiam que o Brasil fosse independente e se tornasse socialista, como Cuba, 05 anos antes.

A ditadura persegue, prende, tortura e mata

Após o golpe no dia 1º de abril de 1964, é editado o Ato Institucional nº 1, no dia 09, pelo qual o governo, que intitulou-se “revolucionário”, punia uma série de pessoas consideradas “inimigas do novo regime”. O marechal Humberto de Alencar Castelo Branco assume no dia 11. Os militares queriam mostrar que o novo regime era democrático e elegeram, por via indireta, o marechal. Em novembro, é editada a lei que proibia atividades políticas por parte das organizações estudantis. Em 27 de outubro de 1965, é editado o Ato Institucional nº 2, cassando muita gente. Vieram outros atos institucionais e dezenas de atos complementares, sempre restringindo as liberdades ao povo e aumentando o poder dos militares. O Governo tinha minoria no Congresso e não gozava de simpatia por parte da população. Daí, cassava deputados, prefeitos, governadores. Os Partidos políticos são dissolvidos e criados ARENA e MDB. 

Em outubro de 1966, por via indireta (só os parlamentares votavam), é eleito para presidir a República o general Artur da Costa e Silva, que assume a 15 de março de 1967. Em 1968 Costa e Silva adoece. No fim daquele ano assume o Governo uma junta militar que edita o AI-5. Depois, elege, indiretamente, o general Emílio Garrastazu Médici, que governa o país com mão-de-ferro até 1974. Médici endurece o regime. Com o AI-5, tinha plenos poderes, como um Rei. Até a Justiça ficava sob seu comando. A reação então não veio do povo, que temia as mortes, torturas e prisões que vinham ocorrendo. Veio de pequenos grupos que, sem opção, pegaram em armas para combater o regime. Foi o período mais violento da ditadura. Em seguida veio Ernesto Geisel (1974/1979) e, finalmente João Baptista de Oliveira Figueiredo (1979/1984).

O período da ditadura militar, ainda desconhecido pela maioria do nosso povo, foi o período da americanização do Brasil. Chegamos ao ponto de termos uma lei para garantir que a música brasileira tocasse nas rádios. O gosto pelo que era americano foi-nos imposto de tal maneira que, para fazer sucesso, muitos artistas cantavam em inglês com nomes ingleses. O cinema foi dominado pelos americanos. Nas escolas, o ensino de Francês foi substituído pelo inglês, obrigatório. Até à nova LDB isso era uma realidade. De 1996 para cá, o Espanhol também passou a ter vez no ensino. A educação e a saúde foram sucateadas para que os empresários pudessem entrar no setor. A escola particular e os hospitais particulares proliferaram, inclusive recebendo verbas do Governo. Fizeram do público algo privado e a corrupção era acobertada, com a imprensa censurada.

Artistas sofrem com a censura

Cantores como Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia, Geraldo Vandré, Taiguara e outros tiveram que deixar o país. Vandré, por ter sido acusado de só falar em povo, pobreza etc. e nunca falar de beleza, de flores etc. compôs a música Caminhando, a qual deu o nome de Pra não dizer que não falei das flores. Foi premiado no Festival Internacional da Canção de 1968, quando ficou em segundo lugar, e a música virou hino nacional rapidamente. Os militares proibiram a música, prenderam e torturaram Vandré e o expulsaram do país. Ele só voltou após a ditadura e não fala sobre sua obra. Não dá entrevista. Chico Buarque adotou o nome de Julinho de Adelaide para poder evitar a censura e gravou um disco com esse nome. Caetano, no exílio, recebe uma homenagem de Roberto Carlos, que compõe Debaixo dos caracóis de seus cabelos, referindo-se a ele e à saudade de sua terra, à qual um dia retornaria, segundo Roberto. De fato, voltou dois anos depois cantando “Leãozinho”. Foi uma decepção mas... é coisa de artista.

No teatro, quase todas as peças eram censuradas e proibidas. O dramaturgo campista Winston Churchill teve quatro peças proibidas e só liberadas na década de 1980, assim como Plínio Marcos, dramaturgo paulista. As pessoas, entre 1968 e 1979, ano da anistia, viviam com medo. Os jornais e TVs eram censuradas, reuniões eram proibidas, os sindicatos sob censura e vigilância. Em Campos, como de resto em quase todo o país, as famílias de nada sabiam. Não se podia pronunciar as palavras operário e proletário. Comunista era um palavrão, um xingamento. A sociedade se omitiu e só reagiu quando tudo estava consumado. Aí, já era tarde. Os ricos ficaram muito mais ricos. Hoje, muitos choram seus mortos. Reclamam da saúde e educação ruins, mas contribuíram para que assim fosse. Só tiveram “coragem” com a anistia, quando os movimentos passaram a ser permitidos pelos militares.

Prisões em Campos

Em Campos, no dia 11 de abril de 1964, morreu o prefeito Barcelos Martins. Ele estava em Niterói, quando sua casa foi invadida pela polícia. Soube da notícia e teve um infarto. Irineu Marins, Olavo Marins, Almirante Costa, Tarcísio Tupinambá, Delso Gomes e tantos outros intelectuais, políticos e líderes sindicais foram presos. Jacyr Barbeto, líder sindical que elegeu-se vereador, foi cassado em abril de 1964. Cassado também em 1964 o deputado federal Adão Pereira Nunes. Em 1967, foram cassados os deputados federais Antonio Carlos Pereira Pinto e Sadi Bogado.  Delso ficou preso sete meses. Hoje ele preside a Associação dos Aposentados e Pensionistas e lançou um livro contando parte dessa história. Muitos outros fugiram. Em 1969, o médico César Ronald, após ser preso, foge para o Uruguai. Seu irmão, Avelino Leôncio, é preso, torturado e, para não morrer, foge e se exila em Portugal. Em 1972, mais prisões de lideranças populares e sindicais, entre as quais, Fernando Machado, que sofreria os horrores de Água Santa por sete meses. 

O que os americanos desejavam, conseguiram: um povo subjugado, alienado e dócil. Os capitalistas a eles ligados, conseguiram o que queriam: enriqueceram, evitaram as reformas e mandam no país até hoje. Com as novas tecnologias, já não precisam de armas. Um exemplo é o atual Governo. Controlado pelos capitalistas, Lula faz o jogo dessas elites. E, usando a Justiça e os favores de parte a parte, impede que Garotinho se candidate, pois Garotinho se constitui num perigo para o “statu quo”. Como fizeram com o Brizola em 1984, ao impedirem eleições diretas. Agora, reeleito, Lula diz que quando era jovem, era da esquerda (ou seja, a favor dos trabalhadores), mas amadureceu e, agora, é da direita, do lado dos empresários e tentando conciliar capital e trabalho. Vergonhoso.

Cuba, único país a resistir

Sem forças para reagir no diálogo, até porque as elites dialogam mas nada fazem para mudar a realidade, parcela do povo reage com a força. Por isso o surgimento do MST, no Paraná, com apoio da Igreja católica, em 1984 e, agora, o MLST. No caso dos miseráveis incrustados nas favelas dos grandes centros, eles reagem à força, mas em causas particulares e não públicas, o que se constitui num perigo para toda a população, pois agem com violência contra o próprio povo. Os militares, enfim, evitaram as reformas que o país precisa e que parte do mundo fez há muito tempo. Depois do golpe no Brasil, os americanos patrocinaram golpes militares na Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile. Dominaram a América Latina que é o quintal deles. O único país a resistir aos seus ataques foi Cuba, mas há quase 50 anos o povo cubano sofre um bloqueio econômico de tal ordem que não consegue progredir, embora tenha a melhor educação e a melhor saúde das Américas e o melhor esporte da América Latina. Afora o fato, confessado pela CIA, de que os americanos patrocinaram mais de 300 tentativas para matar Fidel.

Registre-se que, a partir da anistia em 1979, e o retorno de muitos exilados, muitas foram as reações ao regime, que respondeu com prisões, perseguições, torturas e assassinatos. Mas, com a economia indo de mal a pior, os militares foram cedendo espaço. No entanto, sem perder o controle. Tanto que as eleições diretas não ocorreram em 1984, pois temia-se que Leonel Brizola fosse eleito. A eleição presidencial foi indireta e Tancredo ganhou de Maluf. Morreu Tancredo e assumiu Sarney, que foi um desastre. Não podemos nos esquecer da bomba que explodiu no colo de um militar que iria jogá-la no Riocentro, durante um show musical em comemoração ao Dia do Trabalhador, no Riocentro, em 1981. Culpariam os comunistas. Milhares de pessoas morreriam, pois os portões foram fechados. Ataques terroristas vitimaram pessoas na OAB e na Câmara de Vereadores do Rio. Todos os nossos passos aqui em Campos, de 1979 a 1984 foram vigiados pelos órgãos de repressão.

Músicas denunciam o regime

Uma das músicas de Chico denunciando a ditadura:

Acorda amor, eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição.
Era a dura, numa muito escura viatura,
Minha nossa santa criatura
Chame, chame, chame, chame o ladrão.
Acorda amor, não é mais pesadelo nada
Tem gente já no vão da escada
Fazendo confusão, que aflição
São os “home”, e eu aqui parado de pijama
Eu não gosto de passar vexame
Chame, chame, chame, chame o ladrão.
Se eu demorar uns meses
Convém, às vezes, você sofrer
Mas depois de um ano eu não vindo,
Ponha a roupa de domingo e pode me esquecer
Acorda, amor, que o bicho é bravo, não sossega
Se você corre, o bicho pega,
Se fica, não sei não. Atenção:
Não demora, dia desses chega a sua hora.
Não discuta à toa, não reclame,
Chame, chame, chame o ladrão, chame o ladrão.
Não esqueça a escova, o sabonete e o violão.

Muitas outras músicas de protesto contra a ditadura foram gravadas. Algumas censuradas, proibidas. Mas a que ficou até hoje como símbolo da resistência dos artistas, sem dúvida, foi a música de Geraldo Vandré, proibida de 1969 a 1980:

Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando):

Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas, marchando, indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo canhão
Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão;
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer.

Enfim, os americanos venceram: somos um povo submisso

O Brasil passa a significar, para os irônicos: "bravos rapazes americanos silenciosamente irão levando". Os militares encobriam a corrupção com a censura. Quando o economista Roberto Campos faliu um banco do qual era sócio, o Governo cobriu tudo e o nomeou embaixador em Londres. Outro economista, Delfim Netto, como ministro da Fazenda, causou um estrago na economia fraudando os dados da inflação e foi nomeado embaixador em Paris. Voltaram anos depois como se nada tivesse acontecido. Roberto Campos se elegeu senador pelo Rio e Delfim Netto, deputado federal por São Paulo. Antes, no Governo Figueiredo, Delfim foi nomeado ministro da Agricultura e, depois, ministro do Planejamento. Os atos de corrupção do pessoal ligado ao Governo eram proibidos de ser publicados, assim como eram proibidas as matérias que tivessem as palavras operário, proletário, ditadura, Golpe de Estado e matérias que tivessem alguma coisa a ver com os direitos humanos.

Aqui em Campos, Alair Ferreira, que era contador prático e membro da Associação Comercial e Industrial, conseguiu se eleger deputado com as cassações dos deputados contrários à ditadura. Ele era suplente de deputado e assumiu a vaga de um dos cassados. Associou-se ao ministro Mário Andreazza e sua firma fez obras no Brasil inteiro. Ficou milionário e se elegeu várias vezes. Quando o regime militar acabou, seus votos minguaram. Ele morreu logo depois. Outros que ganharam muito dinheiro com os governos militares foram os usineiros. Pegaram milhões de dólares que nunca pagaram. Quando acabou o regime militar, faliram. Todos eles. Evaldo Inojosa, dono da Usina de Outeiro, tinha avião particular. Geraldo Coutinho, dono da Usina Paraíso, em Tocos, tinha avião particular. Viviam como príncipes. Acabou o dinheiro do Governo, eles faliram. Faliram mas não foram obrigados a pagar suas dívidas e, com altos salários do IAA, com receitas de terras arrendadas, jamais conheceram dificuldades básicas.

Décadas de mudanças no comportamento

Durante o regime militar, o mundo sofreu muitas transformações, começando pelos Beatles e os Roling Stones, depois, Bob Dylan, Janis Joplin, Jimmy Hendrix e o Festival de Woodstock nos Estados Unidos em 1969. As barricadas de Paris em 1968, na França, quando os jovens foram às ruas exigir mudanças, foram um marco dessas mudanças de comportamento. Surgiram os hippies, a contestação através das roupas coloridas, do blue jeans, dos cabelos compridos, das relações sexuais livres.

No Brasil, surge o Iê, iê, iê e a Jovem Guarda com um comportamento espontâneo, livre. Raul Seixas dá o tom maluco beleza em protesto contra a farsa montada pela ditadura. Surge a Tropicália com os baianos Caetano, Gil, Bethânia e Gal e todo um modo de ser que era contrário a tudo que existia até então. A minissaia, as mulheres usando calças compridas (o que foi considerado um absurdo), as calças pantalonas, os cabelos compridos, os barbudos, as bolsas tiracolo e as mochilas. Foi uma verdadeira revolução no comportamento que os militares nada puderam fazer, embora tratassem os jovens como rebeldes e com desprezo. Esse movimento nada tinha a ver com os militares, mas ocorreu durante o regime militar e foi tido como contestação à ditadura.

Gerações dóceis

Os males que a ditadura militar causou ao Brasil e aos brasileiros ainda vão continuar prejudicando o povo por muitos anos. A geração que nasceu em meados dos anos de 1960 até os anos 1990, é uma geração que detesta política, acredita que todos os políticos são iguais e aprendeu que o honesto é um idiota, pois o bom é levar vantagem em tudo, como disse o Gerson, jogador da seleção brasileira de 1970, ao fazer uma propaganda de cigarro naquela época.

Essa geração que tem hoje entre 33 e 43 anos, assimilou o individualismo americano e não é solidária. Quer se dar bem na vida e tem um lema: Cada um por si e Deus por todos. Essa geração tem filhos e ensinam seus filhos a cuidarem de suas próprias vidas, sem se importarem com os outros. Assim, vivem numa grande competição e querem cada vez consumir mais. É uma geração sem causa, que nada cria e só reclama. Seus filhos, hoje com idades entre 12 e 20 anos, em média, nunca têm os pais, que só pensam em trabalho e compensam a falta da presença deles em casa com bens de consumo. A geração que se forma também é uma geração sem causa. A vida não tem sentido ou, se tem, o sentido está no consumo, no ter e não no ser. Igualzinho os jovens americanos, tão bem retratados nos filmes Beleza Americana e Kids. 

Ao estudar o período do regime militar, os poucos jovens que ainda pensam começam a entender uma série de coisas que deviam saber há muito tempo. Seus pais nunca tiveram interesse, nem os professores, até agora, disseram alguma coisa importante sobre a época. Até as músicas os jovens não entendem, porque não sabem da importância do que ocorreu entre 1964 e 1984.

Um exemplo é Chico Buarque quando ele canta a música Acorda amor, que diz “acorda amor, eu tive um pesadelo agora, sonhei que tinha gente lá fora, batendo no portão, que aflição”, referindo-se à polícia da ditadura que ia prendê-lo e ele diz “chama o ladrão, chama o ladrão”. Ou quando Elis Regina canta O bêbado e o equilibrista, quando diz “chora a nossa pátria mãe gentil, choram marias e clarisses no solo do Brasil”, referindo-se à dor dos que partiram, expulsos ou fugindo da ditadura. A própria música Caminhando, de Vandré, é cantada pelos jovens que não entendem que ela é um hino contra a ditadura, um canto à liberdade.

Enfim, o imperialismo americano conseguiu o que desejava: um povo submisso e afinado com a cultura do ter e não do ser. Gerações sem perspectiva, capazes das maiores violências e sem parâmetros morais e éticos. Um arremedo de nação que prefere entregar seu destino aos deuses, em vez de forjá-lo ele próprio. Uma lástima. Mas a esperança é a última que morre...



Alex Ribeiro e seu samba de qualidade


Alex Ribeiro continua com seus shows em São Paulo, Brasília, várias capitais do Nordeste, várias cidades do Estado do Rio e na própria capital do Estado. Na maioria das vezes, convidado. 

Com um CD novo e excelente, tendo representado seu pai, que é campista (Roberto Ribeiro) na homenagem que a Escola de Samba Madureira do Turfe fez em 2014, quando ganhou o Carnaval, inclusive o melhor samba-enredo (que é de Alex), penso que era hora de convidá-lo para um espetáculo em nossa terrinha.

Seu samba, juntamente com alguns parceiros, entre os quais o global Arlindo Cruz, foi o vencedor na sua escola este ano, a Império Serrano. Registre-se que Alex já esteve em Campos, lembrando os sucessos de seu pai, na Praça São Salvador e no Trianon (quando se apresentou com Elza Soares). 

sábado, 28 de março de 2015

Campos: 180 ou 483 anos?

Campos, 180 ou 483 anos?
O “nascimento” de Campos, então como Capitania de São Thomé, se deu juntamente com as demais “capitanias hereditárias”, em 28 de setembro de 1532, quando Dom João III, Rei de Portugal, divide o Brasil em 15 grandes propriedades, entre as quais a capitania de São Thomé, com suas trinta léguas entre os rios Managé (hoje Itabapoana) e Macaé, e cujo limite, a oeste, encontram-se as terras de Minas Gerais, ao norte/noroeste, o Espírito Santo e, por óbvio, a leste, o Oceano Atlântico.

Registre-se que o Brasil tem seu nascimento em 22 de abril de 1500, quando os brancos puseram o pé em terra firme. Para os invasores, era uma ilha, que chamaram de Vera Cruz. Depois, Terra de Santa Cruz e, finalmente, Brasil. Não ficaram aqui mais que alguns dias e a “nova terra” estava “batizada”, sem ainda o devido registro. No caso de Campos, a certidão de nascimento existe.

Como o Brasil, esta terra recebeu outros nomes, como Capitania de São Thomé, Capitania da Paraíba do Sul, Vila de San Salvador dos Campos, até a definição como Campos dos Goytacazes. Depois, mudou para apenas Campos e, novamente, já na década de 1980, Campos dos Goytacazes. Mas a troca de nomes não é fator relevante neste caso, como não o foi para o país nem para grande parte das cidades e estados que se orgulham de sua longevidade.

Creio que não se deve deixar de comemorar nossas datas importantes, como o 29 de maio e o 28 de março (datas da elevação à categoria de Vila e de Cidade, respectivamente), mas o aniversário, o nascimento, deve ser divulgado e comemorado como o fato mais importante. Com a datação de nascimento estabelecida, os fatos históricos ganham um sentido, uma lógica facilmente assimilável. Isso porque muita gente, inclusive professores, trataram o dia de hoje, 28 de março de 2015, como “aniversário” da cidade, que completou “180 anos”.

Tendo como registro de nascimento o 28 de setembro de 1532, pode-se falar do batismo em 1536 (carta de doação da capitania a Pero de Góis e de sua luta para colonizar a terra recebida). Em sequência, a destruição de sua propriedade; a tentativa de seu filho, Gil de Góis, de colonizar a terra recebida como herança; a doação das terras aos “sete capitães” em 1627; a demarcação das sesmarias em 1633 e sua divisão em grandes fazendas de gado; a negociação das terras com o general Salvador Corrêa de Sá e Benevides e algumas irmandades religiosas em 1648.

Como se não bastasse, há a criação da Câmara em 1652, quando ocorreu, em dezembro, a primeira eleição dos vereadores; Em seguida, a criação da Vila, em 1677, e as lutas travadas pelos heréos (herdeiros dos sete capitães) e confinantes (fazendeiros vizinhos) com as autoridades governamentais do Rio de Janeiro e de Portugal, incluindo Benta Pereira e seus filhos, até 1752, quando a capitania passa a ser, definitivamente, dos campistas; e a elevação à categoria de Cidade, em 1835, fato que ocorreu juntamente com Angra dos Reis e Niterói, municípios que comemoram suas datas de nascimento em 06 de janeiro de 1502 (quando apenas recebeu uma denominação: Ilha de Santos Reis) e em 22 de novembro de 1563, respectivamente.

Se seguíssemos a datação de Angra, o nascimento de Campos seria em 1501, quando foi avistado o cabo que recebeu o nome de Cabo de São Thomé, na expedição de Gaspar de Lemos. Essa mesma expedição é que chegou a Angra em janeiro de 1502 e, como era dia 06 de janeiro, dia dos Santos Reis (os Reis Magos da mitologia cristã), denominou a ilha de Ilha dos Santos Reis.

Há que se perguntar, então: como Angra dos Reis montou sua história a partir da denominação da ilha por uma expedição de reconhecimento e todos aceitam sem problema algum, mas garantindo razoabilidade a todos os fatos posteriores, e Campos, reconhecido meses antes, em junho de 1501, comemora 1835 como “aniversário”? A mesma pergunta pode ser feita quanto a Niterói, que comemorou em novembro, 451 anos de existência.
Avelino Ferreira

quinta-feira, 26 de março de 2015

Câmara produz e lança DVD com a história do Palácio Nilo Peçanha

(Foto: Check)
Dr. Edson Batista discursa sobre a data histórica
Patrimônio arquitetônico, histórico e cultural de Campos, o Palácio Nilo Peçanha, sede da Câmara Municipal, que completa 80 anos este mês, teve ontem lançado o DVD do documentário sobre sua história desde as primeiras gestões para sua edificação, ainda nos anos 20, até a construção do prédio, e sua inauguração, em 1935.     
O  vídeo, com duração de 30 minutos, é o terceiro DVD do projeto “Memorial Câmara”. Segundo o presidente da Câmara, vereador Edson Batista, o documentário é uma pequena contribuição de Câmara para marcar os 180 anos da elevação de Campos à categoria de cidade, fato ocorrido em 1835, quando Niterói e Angra dos Reis também ganharam esse título.
“Essa produção faz parte da política de valorização da cultura do nosso município, compromisso esse da atual gestão da Câmara. Acredito que estamos cumprindo com nosso papel de resgatar e preservar nosso patrimônio e memória histórica, base para a formação da nossa identidade. Quero agradecer a todos que contribuíram para tornar esse documentário uma realidade”.
O documentário traz entrevistas, fotos e imagens atuais do prédio, que completou 80 anos no dia 11 de março. Deixaram seus depoimentos, o professor e pesquisador Leonardo de Vasconcellos, do Centro de Memória do IFF Campos, que participou da restauração do prédio, bem como as pesquisadoras Elis Miranda e Rosilene Tavares que escreveram e publicaram um trabalho científico sobre o quadrilátero histórico de Campos.
Também foram entrevistados, o ex-serventuário da justiça, Jorge Ribeiro, o professor, jornalista e advogado Fernando da Silveira,  pesquuisador João Pimentel, do Instituto Histórico e Geográfico de Campos, e o arquiteto Humberto Chagas, que participou da última restauração, feita na gestão do Dr. Edson Batista, quando foi pintado o prédio conforme o original, colocado uma cisterna gigante para aproveitamento da água da chuva, o pavilhão das bandeiras e projetado e realizado o jardim que realçou o edifício. Todos foram homenageados com uma placa comemorativa.
(Sobre matéria do site da Câmara)

terça-feira, 24 de março de 2015

Contra a redução de cadeiras no Legislativo

Em debate na Rádio Absoluta nesta terça, pela manhã, a questão do número de vereadores que a Câmara de Campos deve ter, defendi a permanência das 25 cadeiras atuais. Uma das razões é a lei da proporcionalidade (cadeira por habitantes), preceituada pela Constituição. Outra é também Constitucional, pois trata-se do repasse que a Câmara recebe, que não vai mudar, mantendo ou reduzindo o número de vereadores. 

Quando foram reduzidas as cadeiras. de 21 para 17, a Câmara "nadou em dinheiro". Quando aumentou para 25, o repasse foi o mesmo e o orçamento ficou apertado em menos um terço. Todavia, com competência, seriedade e economicidade, a Mesa Diretora fez muito mais que antes.

Se houver redução para 17, reduz a representação, o que é ruim para a população (embora a maioria não tenha noção disso). E o dinheiro que sobra é gasto com mordomias. Ou seja, quando menos representantes, mais mordomias. Quanto mais representantes, menos mordomias. Um bom exemplo é a Câmara de Macaé, que tem 15 vereadores (se não me engano) e um orçamento mais que duas vezes o da Câmara de Campos. Parece que cada vereador tem um carro e um mundo de vantagens se comparados com os vereadores de Campos. 

No caso dos "salários" dos vereadores, que, em verdade, são subsídios, já que não são empregados e seus mandatos são temporários (se as comunidades decidem reeleger seus representantes, respeite-se o desejo das comunidades), a tabela abaixo deixa claro quanto recebe cada um. Não em cifras, mas em percentuais. 

No caso federal, que muita gente faz coro com aqueles sem noção que acreditam ser melhor nem ter Legislativos, defendo que o Brasil, com 200 milhões de habitantes, deveria ter a representá-las, não os atuais 513 deputados, mas sim 1 mil parlamentares, mantendo-se o equilíbrio (não proporcional) na Câmara Alta ou Senado Federal, que tem três representantes por Estado, independentemente do número de habitantes de cada um. 

Haveria aperto orçamentário na Câmara, em relação a atual legislatura, mas o povo ganharia em participação, com mais representantes e menos mordomia. Já o Senado é um caso mais sério, pois o número não mudando, as mordomias, que já são muitas, continuarão; e quanto mais cresce o PIB, mais mordomias.  A não ser que sejam aumentadas, também, as cadeiras no Senado. 

No caso estritamente municipal, registre-se: 
   
O repasse mensal das dotações orçamentárias devidas ao Poder Legislativo não é faculdade dos Prefeitos Municipais, mas sim uma obrigação imposta pela Carta-Magna e Lei Orgânica do Município.
Compete às Câmaras fixar o subsídio dos Vereadores em cada legislatura para a legislatura seguinte, respeitando sempre a Constituição e o que mais estiver disposto na Lei Orgânica do município. A Constituição impõe limites máximos para o gasto total do Município com a remuneração dos vereadores, que não pode exceder 5% da receita do Município (CF, art.19, VII, incluído pela EC nº1, de 1992) e também para a remuneração individual de cada um deles (de acordo com a EC 25/2000):
Subsídio
nº de Habitantes
20% do subsídio dos Deputados Estaduais
até 10 mil
30% do subsídio dos Deputados Estaduais
até 50 mil
40% do subsídio dos Deputados Estaduais
até 100 mil
50% do subsídio dos Deputados Estaduais
até 300 mil
60% do subsídio dos Deputados Estaduais
até 500 mil
75% do subsídio dos Deputados Estaduais
mais de 500 mil


sábado, 21 de março de 2015

Câmara lança DVD sobre o Palácio Nilo Peçanha


A Câmara Municipal de Campos lança na quarta-feira (25), às 16 horas, o terceiro DVD do projeto “Memorial Câmara” que, desta vez, vai eternizar a história do Palácio Nilo Peçanha através de um documentário.
Na sessão especial serão comemorados os 180 anos da elevação de Campos à categoria de cidade. Na ocasião, 11 cidadãos receberão o Título de Cidadania Campista. Também será conferida a Medalha Cidade de Campos dos Goytacazes.
Produzido pela equipe da TV Câmara Campos, o documentário tem 30 minutos de duração. São entrevistas, fotos e imagens atuais do prédio, que completou 80 anos no dia 11 de março.
Entre os entrevistados estão o professor e pesquisador Leonardo de Vasconcellos, que participou da restauração do prédio, bem como as pesquisadoras Elis Miranda e Rosilene Tavares que escreveram e publicaram um trabalho científico sobre o quadrilátero histórico de Campos.
Também deixaram seus depoimentos, o professor, jornalista e advogado Fernando da Silveira, o ex-serventuário do Judiciário, Jorge Ribeiro, além do arquiteto Humberto Chagas e ainda o pesquisador João Pimentel, do Instituto Histórico e Geográfico de Campos.
Atual sede do Legislativo, a réplica do Parthenon de Atenas mantém sua beleza, suntuosidade e o estilo monumental greco-romano. Até 2007, o Palácio Nilo Peçanha funcionou como sede da Justiça. A inauguração do prédio para ser o Fórum da Comarca de Campos foi no dia 11 de março de 1935.
Em 2014, a Câmara rendeu homenagens póstumas ao campista Nilo Peçanha, primeiro presidente negro do Brasil. Além de um documentário contando parte de sua história, foi inaugurada uma estátua em tamanho natural nas escadarias do prédio.
EXPOSIÇÃO – Ainda por conta dos 80 anos do Palácio Nilo Peçanha, continua aberta ao público no foyer do prédio do Legislativo a exposição “Câmara Fotográfica”. Aberta na noite da última quarta-feira (11), a mostra atraiu um grande público. A exposição reúne 30 fotos que retratam detalhes do Palácio. A curadoria é do fotógrafo Wellington Cordeiro. O horário de visitação é das 8h às 18h.
O presidente da Câmara, vereador Edson Batista, ressaltou “a competência dos profissionais que conseguiram captar o prédio de diferentes ângulos com muita sensibilidade”.
O presidente do Legislativo enfatizou que “o prédio representa um dos grandes atrativos de Campos, um de nossos orgulhos, pela sua imponência e beleza, realçando as belas formas da arquitetura do período greco-romano”.
(Matéria do site da Câmara)

sexta-feira, 20 de março de 2015

Bonde da História da Câmara emociona alunos de Guarus

Os corredores do Palácio Nilo Peçanha ficaram cheios de olhinhos curiosos com a volta do Bonde da História – Estação Câmara, nesta quinta-feira (19). Estudantes da Escola Municipal Lídia Leitão de Alvarenga, do Parque Cidade Luz, se dividiram em dois grupos e participaram das visitações pela manhã e à tarde.
Para a vice-diretora da instituição, Nélia Neves, o projeto da Câmara é uma oportunidade para os alunos se aproximarem do Legislativo. “É a primeira vez que nossa escola participa do projeto Bonde da História, e escolhemos os alunos maiores para que eles pudessem aproveitar ainda mais. A grande maioria nunca havia entrado no prédio da Câmara e estão adorando a experiência. É importante que eles entendam que aqui é a casa do povo”, disse.
Nas visitas, os alunos, no plenário, conversam com um vereador
Atenta às explicações das monitoras do Bonde, a estudante do 5° ano, Raíssa Azeredo, 11 anos, afirmou que gostaria de se tornar vereadora mirim. “Tenho vontade de participar porque tem que ter muita responsabilidade. Poderia ajudar muita gente e é muito importante para o nosso futuro”.
Além de visitação a prédios históricos de Campos, o Bonde da História leva estudantes de 1ª à 5ª séries do ensino fundamental e alunos do ensino médio a tomar conhecimento do funcionamento da Câmara e o papel do vereador junto à sociedade, com noções de política e cidadania, através de palestras de monitores e explicações de um vereador sobre o seu trabalho.
O projeto se tornou o embrião da ideia do Parlamento Mirim, onde estudantes que participaram do projeto são eleitos pelos colegas para ocupar suas funções como vereador mirim na Câmara.
À tarde, a aula de cidadania foi ministrada aos alunos dos 4º e 5º anos. Bastante empolgada, Maíra Rubi de Oliveira, 10 anos, disse ter ficado emocionada ao conhecer a beleza prédio. “É mesmo muito bonito”, afirmou a aluna.
O vereador Jorge Magal falou aos estudantes sobre a importância do projeto do Bonde, implantado pelo presidente da Câmara, vereador Edson Batista. Antes, os alunos estiveram no gabinete do vereador Mauro Silva, que foi bem receptivo com os estudantes.
“Desse grupo poderão sair futuros vereadores e até mesmo, quem sabe, um prefeito. É importante que a política seja debatida nas escolas”, afirmou Magal. Diretora da escola, Elienes Zanela, falou sobre a importância o projeto. “É uma forma de agregar conhecimento e uma oportunidade para muitos de conhecer a sede do Legislativo”.
Professoras, Maura Coquito e Valéria do Nascimento Freitas fizeram coro. “É uma iniciativa muito boa”, disse Maura. “Já conhecia o projeto, pois estive aqui ano passado com outra escola. É bem interessante”, acrescentou Valéria.
(Matéria do site da Câmara)

quarta-feira, 18 de março de 2015

Bonde da História - Estação Câmara nesta quinta-feira


O Bonde da História – Estação Câmara volta a circular pelos corredores da Câmara Municipal de Campos na quinta-feira (19).
Os primeiros visitantes do ano serão os alunos da Escola Municipal Lídia Leitão de Alvarenga, no Parque Cidade Luz, em Guarus.
O projeto, dirigido pelas curadoras Nana Rangel, Marilene Merlin e Dilcéia Smirdele, está com a agenda fechada até o dia 16 de maio. Segundo Marilene, a procura tem sido grande. “As inscrições continuam, pois o Bonde só para agora no final do ano”, disse.
Acompanhados de monitores do projeto, alunos e professores fazem um percurso pela cidade, em um ônibus cedido pela Câmara, para conhecer os principais pontos turísticos, como Museu Histórico, Igreja e Praça São Salvador, Lyra de Apolo, entre outros.
Eles também recebem um livreto contendo informações de parte do patrimônio histórico de Campos. Já no Palácio Nilo Peçanha, atual sede da Câmara, os estudantes ouvem uma palestra sobre a história e o funcionamento Poder Legislativo.
Segundo Marilene, a primeira sessão dos vereadores mirins, empossados em novembro do ano passado, será realizada no dia 15 de abril, a partir das 15h. O tema da palestra será educação.
Ela afirmou que até o final do ano, os 25 vereadores mirins e os 25 suplentes eleitos irão participar de outras três sessões, com os temas saúde, transporte e segurança. “Para a divulgação das imagens das crianças pedimos autorização aos pais”, acrescentou ela.
O Bonde da História - Estação Câmara é uma criação nossa, com Sylvia Paes, Viviane Terra e Nana Rangel. Projeto considerado de excelência, que objetiva criar uma consciência de cidadania, de preservação do patrimônio histórico/cultural e, claro, o conhecimento da Casa do Povo. Os alunos e professores, após o percurso citado acima, sentam-se no plenário e têm uma aula de como funciona o Legislativo e conversam com um vereador. 

Fidel e líderes bolivarianos apoiam a Venezuela contra ameaça dos EUA

Fidel Castro envia carta para o presidente Venezuelano Nicolás Maduro

É a segunda carta que Castro envia ao presidente da Venezuela em uma semana. “Haja o que houver, o imperialismo dos Estados Unidos não poderá fazer o que fez durante tantos anos”, pois “hoje a Venezuela conta com os soldados e oficiais mais bem equipados da América Latina”, disse Fidel Castro, 88 anos.

Castro se manifestou justamente no momento em que, de um lado Estados Unidos e Cuba se reúnem para restabelecer relações diplomáticas e, de outro, Estados Unidos e Venezuela se estranham. Na semana passada o presidente Barack Obama declarou o país sul-americano como "ameaça à segurança nacional ". Em resposta, Maduro aprovou lei que lhe permite fazer decretos sem precisar do Parlamento e subiu o tom contra o governo americano.

Para Fidel Castro, a política dos EUA adotada em relação à Venezuela é "insólita", de "ameaças e imposições". FIdel deixa claro na carta que "a Venezuela "declarou de forma precisa que sempre esteve disposta a discutir de forma pacífica e civilizada com o governo dos Estados Unidos, mas nunca aceitará ameaças e imposições deste país",

Na segunda carta que envia a Maduro em uma semana, o pai da revolução cubana elogiou a atitude do povo venezuelano e "a disciplina exemplar e o espírito da Força Armada Nacional Bolivariana" frente à lei do presidente Barack Obama que aplicou sanções contra funcionários da Venezuela e declarou o país uma ameaça para a segurança nacional dos Estados Unidos. Ele ressaltou que o povo venezuelano "jamais admitirá um retorno ao passado vergonhoso da época pré-revolucionária".

Ontem foi realizado, em Caracas, a reunião extraordinária da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA - TCP), definindo uma posição do bloco na próxima Cúpula das Américas. Fidel Castro não foi, obviamente. Não só por estar adoentado, mas porque o representante de Cuba é seu presidente, Raul Castro, que esteve presente. Todavia, não foi só Fidel que reiterou apoio integral a Nicolás Maduro ante a ameaça de Barack Obama.
Evo Morales, da Bolívia, o próprio Raul Castro, de Cuba, Daniel Ortega, da Nicarágua, o primeiro ministro da Dominica, Roosevelt Skerrit, O ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, entre outros líderes estão ao lado de Nicolás Maduro nesse embate com os EUA. Para eles, as questões da Venezuela devem ser resolvidas pelo povo venezuelano. A palavra de ordem é "chega de intervencionismo imperialista". 
Ricardo Patiño chegou a dizer que declarar a Venezuela (como fez Obama) como uma ameaça é "o prelúdio de uma invasão". Sabe que os EUA, com justificativa como essa, já invadiu muitos países e ainda invade. Só que os bolivarianos não estão dispostos a aceitar a invasão e o insuflamento das elites (como já fazem) para tentar derrubar o governo da Venezuela e colocar em seu lugar alguém simpático `política norte-americana. como aliás, os EUA fazem onde têm interesses econômicos e estratégicos.  
Os brasileiros, pseudointelectuais e ingênuos, acreditam nas boas intenções dos americanos do norte e fazem o jogo da mídia, classificando todos os latinos americanos como populistas, ditadores, enfim, zé povinho. E se houver uma invasão americana na Venezuela, baterão palmas. Gente ruim, frustrada, saudosa de uma ditadura militar e mais remotamente, de um tempo em que o sistema de castas lhes davam toda cobertura (aos seus antepassados, é claro) E os zés ninguéns fazem coro com essa elite retrógrada e subserviente porque, além de ingênuos, desejam, um dia, fazer parte dessa mesma elite que os explora. 

De Médici a Dilma: o problema é a economia

Quando o presidente Emílio Garrastazu Médici assumiu o poder, após a assinatura do AI-5 e de uma junta militar ter assumido o governo interinamente, devido a doença de Costa e Silva, os brasileiros já estavam com os cintos mais que apertados (quem não se lembra da política de "aperte o cinto" para que o bolo pudesse crescer e, depois de crescido, ser dividido?). Inicia-se um tempo de violência exacerbada, de torturas e assassinatos nunca vistos antes, porém, ao mesmo tempo, o crescimento econômico chegou a dígitos tais que o período ficou conhecido como "milagre brasileiro". 

Com a economia indo muito bem, Médici chegou a ir a campo de futebol, com radinho de pilha no ouvido. Postava-se como um presidente popular e a população (afora aquela minoria consciente e corajosa), era favorável ao ditador. Músicas que exaltavam o Brasil, principalmente por ocasião do tri-campeonato mundial de futebol, eram cantadas de norte a sul. E quem reclamava ouvia de pronto a frase, também popularizada pelo governo e reproduzida pelos incautos: "Brasil, ame-o ou deixe-o!"

Quando os árabes, até então donos do petróleo, combustível que move o mundo, resolveram aumentar os preços do barril, a quebradeira foi geral. Por aqui, foi o fim do milagre brasileiro. E A mesma população que aplaudia o presidente passou a ouvir a nós, minoria, que tentava mostrar as torturas, os assassinatos, as perseguições, as mentiras dos ministros sobre a inflação, a corrupção e os assassinatos cometidos pela polícia (esquadrões da morte, mãos brancas) em favor dos empresários e de políticos a eles ligados.

O presidente sofreu desgaste de tal ordem que saiu mal do governo. Entrou Geisel, prometendo dias melhores, o fim da ditadura coma abertura política e a anistia. Reduziu os toques de recolher e fez vista grossa para as reuniões familiares (a gente tinha que pedir autorização ou avisa aos milicos que estávamos comemorando um aniversário ou coisa assim, para justificar reuniões em casa). A economia indo mal, Geisel foi antipatizado e, claro, continuou prendendo os descontentes, torturando, matando, cassando parlamentares. 

Figueiredo ganha mais uma estrela e, com quatro, se equiparava aos outros generais. Com isso, assumiu a Presidência da República, mas a economia ia tão mal que ele foi admoestado até por garotos. Em seu governo, até as mulheres protestaram (não é incrível?!) contra o governo. E o resto todo mundo já sabe (ou deveria saber).

Por que escrevo tudo isso? Para dizer que tudo que estão falando contra a Dilma é real e balela ao mesmo tempo. Se a economia estivesse bem, nada disso estaria ocorrendo, O problema é a economia. Se ela vai mal, quem estiver na Presidência vai mal. O resto é justificativa para os atos públicos. As pessoas, em geral, só sentem quando "dói" no bolso. Se houvesse(houver) uma recuperação da economia, Dilma vai ser adorada por esses mesmos que hoje protestam. 

O PT foi criado pela ditadura militar para dividir as forças que se uniam em torno de Leonel Brizola. Tinham um discurso, os petistas, como se o Brasil começasse ali, nas greves do ABCD paulista. Temendo a rejeição, os intelectuais usaram uma liderança operária, o Lula, que poderiam manipular. Passou o tempo e há anos o feitiço virou contra o feiticeiro: É o operário (ex) que manipula os intelectuais e o PT. Ninguém enxergou isso (afora uma pequena minoria, como sempre), porque a economia ia bem. 

Lula negociou com a direita e todos bateram palma. Esqueceram-se de Itamar Franco, que criou o Real. O crédito pelo fim da inflação, dado a Fernando Henrique, passou a ser dado a Lula. Este tornou-se o salvador da Pátria. Infeliz de um povo que precisa de um salvador. Lula elegeu, com a corrupção, a sua indicada, Dilma Roussef, que ninguém conhecia nem queria. Mas a economia indo bem, o Presidente elege até um poste. Bateram palma. Primeira mulher a governar o país. Que beleza! O melhor dos mundos! 

Agora que a crise que assolou os EUA, a Europa, chega a nós, as pessoas querem a derrubada de Dilma, tentam macular o nome e a história de Lula. Pedem até a volta dos militares! Insanidade? Não. Ingenuidade e o gosto de ser manipulado. A maioria do nosso povo, gado, no dizer de Zé Ramalho, ou cordeiros, no dizer dos vendedores de terrenos no céu, olha apenas para o próprio umbigo. Reclama-se de tudo como se vivêssemos no pior dos mundos, quando vivemos no melhor dos mundos. O problema é que, quando temos que abrir mão de um conforto adquirido, agimos como se o mundo tivesse desabando sobre nós. 

Os culpados não são os espoliadores do povo, não é o pessoal do Judiciário, os oportunistas (muitos artistas entre eles). Os culpados são os políticos. A mídia manda o povo dizer isso e o povo repete o que houve como se verdade fosse. Não há nenhum debate sério. A audiência está no falar mal daqueles que necessitam do voto Ou de empresários envolvidos com escândalos. O sistema espoliador nunca é colocado em questão. 

Agora fala-se, demagogicamente que devemos acabar com as representações legislativas. Idiotice? Insanidade? Ingenuidade? Com 200 milhões de habitantes, temos poucos parlamentares no Congresso Nacional. Quanto menos parlamentares, mais fácil a manipulação. Nem sabe o povo que o dinheiro das casas legislativas não muda de valor, se houver dez, cem ou mil parlamentares. O que ocorre é que, com maior quantidade, o dinheiro fica mais curto para cada gabinete. E a representação torna-se mais democrática. 

Mas a mídia prefere a demagogia e reproduz as insanidades de alguns que não passarão para a história senão como lixo. Triste, muito triste tudo isso. 

terça-feira, 17 de março de 2015

Câmara e UENF juntas por um Parque Tecnológico em Campos

A Câmara de Vereadores convida toda a sociedade para a cerimônia de assinatura do protocolo de intenções que tem como objetivo estruturar e implantar um Parque Tecnológico em Campos, na próxima quarta-feira (18) às 15h. A iniciativa da Uenf que conta com o apoio do Legislativo e de outras 13 instituições que, juntas, terão a responsabilidade de criar este polo de incentivo a empresas ligadas à área de tecnologia.

A preparação e implantação de um Parque Tecnológico no município tem como missão prover a “inteligência”, a infraestrutura e os serviços necessários ao crescimento e fortalecimento destas empresas inovadoras e de forte conteúdo tecnológico.
Batista comemorou a iniciativa. “O plano traz clareza e discernimento nas propostas para a potencialização das ferramentas dos setores envolvidos neste projeto do Parque Tecnológico, que será fruto de uma construção coletiva, da integração de todos os setores. A Câmara se sente honrada em participar deste esforço coletivo e ser a sede da assinatura do protocolo que marca mais um passo importante nesta conquista”, afirmou o presidente do Legislativo.
“O projeto visa a modificação da estrutura produtiva do município de forma a criar condições necessárias e atrativos para a instalação de um polo de empresas com atividades diversificadas. “Durante muito tempo, nossa economia ficou atrelada à cana de açúcar; agora, ao petróleo, que também é uma comoditie sobre a qual não temos nenhum controle porque  seu preço depende da cotação nas bolsas do mercado internacional”, analisou ainda Edson Batista.
O professor Ronaldo Paranhos, diretor da Agência Uenf de Inovação, observou que no Estado do Rio há dois parques tecnológicos em funcionamento e outros seis em fase de preparação. “Para que se crie um Parque Tecnológico é preciso que a esfera acadêmica dialogue com os setores público e empresarial, criando o que chamamos de governança”.
Segundo Paranhos, em todo o Brasil existem 94 parques tecnológicos, com 939 empresas e 32 mil empregos. Destes, 1.100 cargos são para doutores e 3.000, para mestres e especialistas. “Em Campos, esta mão de obra se forma e vai embora, o que não aconteceria se tivéssemos o nosso parque tecnológico”, concluiu.
(Matéria do site da Câmara)

Prefeito de Italva: sinônimo de decepção

Quando o presidente da Câmara de Italva, Wilson Nogueira, indicou seu filho para ser o motorista do prefeito Leonardo Guimarães e este aceitou, muita gente em Italva estranhou. A relação de Wilson com seu filho, Weider Nogueira, é bastante estreita, como não poderia deixar de ser, quando pai e filho são amigos. Daí que o prefeito, tendo Weider como motorista e amigo íntimo, tem seus passos monitorados de tal ordem que Wilson se gaba de "ter o prefeito nas mãos", ou seja, sabe de tudo que o prefeito faz.

Uma relação que é tida, por muitos, como promíscua, politicamente falando. Um chefe de executivo tem que se resguardar. Até mesmo para não ficar refém daquele que é pago pela sociedade italvense para fiscalizar seus atos. Tendo o filho do presidente da Câmara como confidente, põe no chão a independência entre os poderes. A relação acaba sendo desvirtuada e pode chegar (se ainda não chegou) a um "toma lá dá cá", que macula as duas instituições, que têm que resguardar o distanciamento necessário e inerente ao sistema republicano.

Algumas pessoas já pensam que essa relação íntima, sem distanciamento, tem atrapalhado a administração e seria por isso também que Italva não deu um passo à frente com a gestão do atual prefeito que pode estar sendo refém daqueles que pensam com o umbigo. Diriam os analistas políticos que, com essa relação, o prefeito de Italva deu um tiro no pé e não consegue cuidar da ferida que poderá levá-lo à morte política. Em verdade, essa morte parece já anunciada quando já se começa a discutir as eleições de 2016 e seu nome tornou-se sinônimo de decepção.