Avelino Ferreira, 63 anos, brasileiro, casado, sete filhos, sete netos. Jornalista; escritor; professor de Filosofia.







segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Exigência de diploma para Historiador


Sempre me posicionei contra a exigência do diploma de jornalista para que um jornalista possa atuar nos meios de comunicação. A argumentação contrária (afinal, vencedora) usava exemplos mais estapafúrdios, mais sem nexo, para "provar" a necessidade do diploma. Seus defensores chegaram a dar exemplo da exigência de diploma para médicos e engenheiros. Baixaria total. Mas a exigência do diploma saiu vencedora.

Disse, à época, que teríamos que concordar quando fosse exigido um diploma para escritor, poeta, memorialista etc.. Riram de mim, pois eu estava exacerbando. Ou seja, concordavam com a exigência do diploma para jornalista, mas achavam um absurdo a exigência de diploma para escritor, por exemplo. Falta de uso da razão. Mas sabemos que ser racional é difícil. Pensar é difícil. 

Agora, a Folha de São Paulo insta os leitores a comentar o projeto de lei de Paulo Paim, pelo qual é exigido o diploma de Historiador para escrever sobre a história. leia abaixo o comentário de um dos assinantes da Folha e saiba sobre o que é. E participe se assim o desejar. Claro que os jornalistas defensores do diploma são favoráveis (senão estarão sendo incoerentes). 

Fernando Rodrigues ("Historiador? Só com diploma", "Opinião", 10/11) denuncia um dos projetos de lei mais estapafúrdios em trânsito no Senado. Reserva o exercício de historiador, privativamente, aos portadores do diploma de curso superior de história. 

Médicos, sociólogos, economistas, engenheiros, juristas, jornalistas e outros cidadãos sem diploma de historiador ficam proibidos de escrever sobre história. Não por acaso, o projeto é do senador do PT gaúcho, Paulo Paim.

A iniciativa faz parte da onda que se avoluma no país para o controle da liberdade de expressão. Para governos maniqueístas como o PT fica mais fácil jugular a liberdade de pesquisa e de criação, restringindo seu domínio às corporações reconhecidas pelo poder público. 

Ora, entre os maiores historiadores brasileiros nenhum deles tinha diploma de historiador --como Octávio Tarquínio de Sousa, autor da monumental "História dos Fundadores do Império do Brasil". 

Tem razão Fernando Rodrigues ao assinalar que nosso país corre o risco de transformar-se na "pátria das corporações".

GILBERTO DE MELLO KUJAWSKI (São Paulo, SP)

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