Avelino Ferreira, 63 anos, brasileiro, casado, sete filhos, sete netos. Jornalista; escritor; professor de Filosofia.







sábado, 5 de junho de 2010

O povo não é bobo

Quando Leonel de Moura Brizola retornou ao Brasil, após 15 anos de exílio e as mortes (há suspeitas de que foram assassinatos) de Juscelino Kubitscheck e João Goulart, a ditadura militar, que acreditava que o povo já havia esquecido de seus feitos (o que, em parte, era verdade), surpreendeu-se com a recepção calorosa ao ex-governador que comandou a Campanha da Legalidade em 1961. Após uma calorosa recepção no Galeão, vindo do Sul, Brizola e sua comitiva dirigiram-se à Ipanema, onde receberiam os trabalhistas de todo o país. Ao saírem do aeroporto, um acidente grave: haviam colocado grampos (usados na guerra para furar pneus grossos de caminhões) na avenida e o veículo que conduzia Brizola por pouco não capotou. Foi levado numa Kombi. Durante o tempo que estivemos revendo o Rio (que havia mudado muito desde 1964, com uma pobreza crescente e uma violência até então jamais vista), Brizola evitava comer ou beber (leite, principalmente) sem a certeza de que não estavam envenenados. Brizola tentou unir os trabalhistas e socialistas e não conseguiu, porque a ditadura articulou para que o PTB ficasse com os pelegos tendo à frente Ivete Vargas e o PT fosse criado. Com isso, o trabalhismo foi dividido em três, dificultando o retorno de Brizola à política. Candidato ao Governo do Estado pelo PDT, pequeno partido criado pelo grupo que o acompanhava desde a Carta de Lisboa (1978), Brizola teve contra si a poderosa Rede Globo que, sempre aliada à ditadura, apoiou Moreira Franco, que havia saído muito mal da Prefeitura de Niterói e concorria pelo PDS, substituto da Arena. De outro lado, havia o "filhote" do governador Chagas Freitas, Miro Teixeira. E uma queridinha da ditadura, a Sandra Cavalcanti, liderava todo tipo de pesquisa, concorrendo pelo PTB. Brizola estava esprimido e sem nenhuma chance. Mas, mesmo assim, a campanha de todos eles e da Rede Globo, era contra o Brizola. Coisa inédita até então, pois os partidos se unem contra quem está no governo. Mas os partidos e a mídia em geral eram contra o Brizola. Os militares desdenhavam e diziam que Brizola não seria candidato. Ante a insistência de alguns, eles repetiram a frase cunhada por Lacerda na campanha de Vargas em 1950: "Brizola não será candidato. Se for, não vencerá a eleição. Se vencer, não assume. Se assumir, não governa". Depois da vitória do Brizola, que desbancou Sandra, Moreira, a Proconsult (tentativa de fraude para eleger Moreira Franco) e a rede Globo, os militares diziam mais ou menos isso: "Brizola é um sapo que a gente é forçado a engolir mas será expelido na hora certa". Foi o melhor governo que o Estado do Rio teve até então, desde a ditadura. Por que estou contando essa longa historinha? Porque, a campanha sórdida contra Garotinho, pelas mesmas forças que odiavam Brizola, é tal qual a desencadeada contra o ex-governador sulista. Foi assim em 1998, quando Garotinho elegeu-se governador. Foi assim em 2002, quando Rosinha elegeu-se governadora (nas duas ocasiões, o casal não tinha mandato e lutava contra a ditadura da mídia e dos governos estadual e municipais). E, agora, o fato se repete. O medo que têm do Garotinho é, na verdade, o medo da elite perder as tetas do poder. Garotinho foi excelente governador, equilibrou as finanças do Estado, investiu maciçamente no antigo Estado do Rio, criou diversos programas de longo alcance social e os dados revelam os ganhos da população. Sérgio Cabral serve às elites econômicas, não tem ligação com as populações mais pobres (nunca teve) e nada fez (assim como Moreira Franco e Marcelo Alencar) digno de registro no Estado. A não ser acabar com os programas sociais que, em verdade, vai ficar como sua marca registrada. Mas a verdade prevalecerá e Garotinho vai derrotar toda essa gente ruim. Como dizia o Brizola: "o povo não é bobo" e saberá dar a resposta na hora certa. A única maneira de evitar a resposta do povo é não permitir que Garotinho seja candidato. Fazem tudo para isso, com a conivência, inclusive, de magistrados. Todavia, ainda confiamos na Justiça, nos homens de bem que, por certo, não permitirão que o oportunismo e a corrupção prevaleçam.

4 comentários:

Anônimo disse...

Devemos respeitar todos os comentários e opiniões,afinal de contas estamos falando do entendimento amplo e não de um entendimento aprofundado,stricto sensu,onde a história e os fatos são analisados esmiuçadamente e a partir deles,consubstanciados em escritos de detentores do conhecimento histórico podemos emitir nossas opiniões como sendo verdades irrefutáveis,mas comparar Leonel de Moura Brizola com o Sr.Garotinho..há que se ter muita cautela para que não sejamos considerados levianos e inconsistentes.

Roberto Torres disse...

O Imbecil chegou pra ruminar.

Anônimo disse...

Sr. Avelino.
Peço que o Sr. não compare nunca um homem bom como Brizola com Garotinho...
Brizola era um dos poucos políticos integros e honestos, por isso o sr. até ofende o mesmo comparando-o com Garotinho.

soutotostes disse...

Vivemos num país democrático. O Avelino tem a opinião dele, eu tenho a minha, vocês têm a sua. Vamos respeitar. Sem ofensas.