Avelino Ferreira, 63 anos, brasileiro, casado, sete filhos, sete netos. Jornalista; escritor; professor de Filosofia.







quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Uma reflexão sobre o regime neste momento de crise

O baixo rendimento da nossa democracia

Dizia-se, há um tempo não muito distante, que o povo (sempre a maioria, claro) não estava preparado para a democracia. Era um discurso daqueles que defendiam a ditadura. Fomos contra e acreditávamos que a democracia daria as condições necessárias para a participação do povo e a evolução da informação proporcionaria uma evolução da mentalidade e, de resto, propiciaria a participação nas decisões, por via parlamentar livre ou, mesmo, via processo associativo.

Passados 30 anos do início da nossa redemocratização, chego a uma conclusão nada agradável às lentes daqueles que, como eu, defendiam a democracia. Claro que não advogo um regime que não seja democrático. Todavia, temos um obstáculo a transpor: o baixo rendimento do nosso sistema democrático. Constato que esse baixo rendimento está relacionado à falta de politização da sociedade, a começar pelos professores em todos os níveis. Os que são politizados têm, como discurso principal, a culpabilidade dos governos que não atendem às demandas sociais. Enganam-se a si mesmos ou o fazem propositalmente, porque são covardes e temerosos de culparem a si e ao povo.

Recorro a pensador italiano Noberto Bobbio para dizer o que já sabemos de cor e salteado: “quando os proprietários eram os únicos que tinham direito de voto, era natural que pedissem ao poder público o exercício de apenas uma função primária: a proteção da propriedade”. Ou então, ao discurso do Estado Mínimo, quando as respostas às demandas são de responsabilidade da própria sociedade, como nos EUA, onde quem não tem dinheiro morre nas portas dos hospitais e não se culpa os governos. No máximo, os planos de saúde. Via de regra, a culpa é da pessoa que não conseguiu uma vida digna na “terra das oportunidades”.

Bobbio cita Tocqueville, em discurso na Câmara em 1848, quando o pensador francês disse que os interesses particulares sobrepunham aos interesses comuns. Prevalecia, e hoje mais que nunca, o voto de permuta ou “uma moral baixa e vulgar” de quem colocava os interesses políticos aquém dos interesses particulares. Hoje, mais que ontem, prevalece o voto clientelar.

A democracia, mesmo que de direitos, mesmo que formal, fez com que a sociedade se tornasse uma fonte inesgotável de demandas dirigidas ao governo que não tem, nem terá, condições de dar respostas adequadas. O governo tem que escolher entre as demandas aquelas que atendem aos que mais necessitam do poder público. E isso insatisfaz a uma grande parte da sociedade. Cada parte (e são inúmeras) querem suas demandas atendidas e sempre as colocam como prioritárias.

Noberto Bobbio pergunta, então: “como pode o governo responder se as demandas que provêm da sociedade livre e emancipada são sempre mais numerosas, sempre mais urgentes, sempre mais onerosas?” “A quantidade e a rapidez dessas demandas são de tal ordem que nenhum sistema político, por mais eficiente que seja, pode a elas responder adequadamente”. E prossegue: “Daí derivam a assim chamada “sobrecarga” e a necessidade de o sistema político fazer drásticas opções. Mas uma opção exclui a outra. E as opções não satisfatórias criam descontentamento”.

Num sistema autocrático, citando ainda Bobbio, pode-se controlar a demanda sufocando a autonomia civil. Um sistema autocrático é mais rápido nas decisões por não ter que observar os complexos procedimentos decisórios próprios de um sistema parlamentar. “Sinteticamente – diz ele – a democracia tem a demanda fácil e a resposta difícil; a autocracia, ao contrário, está em condições de tornar a demanda difícil e dispõe de maior facilidade para dar a resposta”.

Por outro lado, o próprio Bobbio reconhece que não há um regime melhor que a democracia, embora o sistema deva ser socialista. A tolerância hoje (a despeito de que quem acompanhe a mídia tenha uma ideia diferente por falta de leitura mais ampliada e aprofundada) é muito maior que antes. Como sempre digo, o mundo caminha sempre para melhor. Nos países que eliminaram (ou quase) os graves problemas sociais, a violência é diminuta. A violência cotidiana está nos resquícios da Idade Média que ficaram. Como exemplo, a intolerância religiosa. E, claro, naquela parcela imensa que ainda está fora do que denominamos vida digna.

Por fim, temos que nos acostumar com a democracia, em não ver no adversário o inimigo, em entender que os problemas que afligem a sociedade são maiores que os nossos, particulares, e que temos que caminhar para uma democracia plena, para o socialismo. Bobbio cita Hegel para dizer que a história da humanidade é (até sua -de Hegel- época) um “imenso matadouro”. Claro que tivemos recentemente a Segunda Grande Guerra e a matança provocada por ela. Hoje, a matança está no fundamentalismo religioso e no desprezo dos ex-colonizadores para com os ex-colonizados.

Mas a democracia vai se tornando um costume e a nossa tarefa - permanente, eu diria - é aperfeiçoá-la. No Brasil, começando pela politização do nosso povo, a luta por uma justa distribuição da riqueza, o imposto sobre as fortunas arrecadadas pelas seitas religiosas, o imposto sobre grandes fortunas, o fim do direito de herança (acima de R$ 5 milhões, por exemplo)  e um combate acirrado ao voto em troca de favores.    

Avelino Ferreira

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Em coletiva, Edson Batista diz que corte vai chegar a 25%

 Foto: Filipe Lemos/Campos 24 Horas
Edson Batista em entrevista coletiva na Câmara nesta sexta, dia 11
O presidente da Câmara de Campos, vereador Edson Batista, falou durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira (11) sobre a publicação no Diário Oficial da portaria 0260/2015 que estabelece a necessidade do corte de 25% nos custos da Câmara, em razão da grave crise econômica no país.
Inicialmente, Batista explicou como é constituído o orçamento do Legislativo. “A Constituição Federal estabelece o nosso orçamento, de acordo com o orçamento do município, dividindo a porcentagem segundo o tamanho da população. Nós estamos entre os municípios que têm entre 300 e 500 mil habitantes. Para estes, a Constituição estabelece que o orçamento do legislativo seja de 5% do orçamento do ano anterior da prefeitura. Além disso, a mesma Constituição determina que a folha de pagamento não pode ser maior que 70% da receita total do Legislativo”.
De acordo com o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), o limite de segurança deve ser de 63% de custos com pessoal para ter uma margem de segurança até os 70% fixados na lei. “O Tribunal de Contas preconiza trabalhar com limite prudencial de 63% para que haja uma margem para quitar débitos trabalhistas, se forem necessários, ou outros referentes ao custeio de pessoal”, explicou ainda Edson.
Com a queda na receita do município, a Câmara também terá uma diminuição em sua receita para 2016. “A receita da cidade caiu e nós precisamos nos adaptar a essa queda. O orçamento do município em 2014 foi de R$2.405.406.430,19 e o de 2015, de R$2.006.100.520,73, uma queda de R$399.305.909,46. Portanto, o orçamento da Câmara para 2016, feito com base no orçamento da prefeitura em 2015, ficará em torno de R$29.814.017,75, registrando uma queda de R$3.902.947,96 em relação a este ano”.
Para se adequar a esta queda, a Câmara deverá reduzir os custos com pagamento de pessoal. “Deste corte de mais de 3 milhões, 70% tem que incidir no pagamento de pessoal, sendo os cargos comissionados e vereadores, pois os efetivos não podem sofrer redução. Podemos fazer este ajuste, demitindo cargos comissionados ou reduzindo salários. Os vereadores estão conscientes que é preciso fazer este ajuste e vamos entrar em um entendimento para poder tomar essa decisão de forma coletiva”.
Batista encerrou lembrando que o corte no custeio da Câmara já foi feito. “O que cabe à presidência é fazer o ajuste de custeio, como fizemos. Agora, precisamos adequar os custos com pessoal. Quem paga esses custos é a sociedade, todos nós através de impostos. Estamos tendo uma postura transparente em busca de um consenso”, concluiu.
(Matéria do Campos 24 Horas)

Câmara de Campos corta gastos com custeio e pessoal

Com a crise a queda da receita do município, com redução do orçamento para 2016, a Câmara de Vereadores de Campos, segundo seu presidente, Edson Batista, vai se adequar à nova realidade e cortar gastos, tanto na área de custeio, como de pessoal comissionado.
Constitucionalmente a Câmara não pode gastar com pessoal mais que 70% do seu orçamento e, por isso, ou se reduz os vencimentos de vereadores e assessores ou se reduz o número de cargos comissionados. O corte de gastos em custeio já foi definido e, agora, resta ou o corte de salários (não dos efetivos, mas dos comissionados e vereadores) ou a redução do número de assessores. 
“O corte vai ser preciso e com relação ao custeio, nós já definimos a diminuição das despesas. Agora é preciso discutir a situação dos cargos comissionados, que podem diminuir em 15%, ou mesmo ter o número de cargos diminuído até que o valor fique adequado à nova realidade”, disse Edson Batista.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Tudo que está correndo, Garotinho vem denunciando há tempo


A oposição no Estado do Rio busca, desesperadamente, algo que possa vincular Garotinho às falcatruas nas quais os notórios do Estado e do país. Nada encontram, embora ele tenha sido candidato à Presidência da República com 16 milhões de votos, governador do Estado, elegendo na oposição, sua esposa, governadora. Foi deputado com 700 mil votos e é um dos poucos que acusa os grandes desse país, como as organizações Globo e os banqueiros. Seu nome continua limpo e ninguém quer falar sobre isso. 

E mais: tudo que ele falou de Cunha, Cabral e companhia, ele provou e agora a polícia está provando (ou comprovando). Sei que para a oposição, os despeitados e preconceituosos é difícil de engolir. Mas é a verdade e ela, afinal vai prevalecer. Abaixo, a publicação de  Garotinho, em seu blog, sobre alguns itens que ele elencou e que merece reflexão daqueles que ainda pensam corretamente: 

1 - Tentei fazer uma CPI contra Ricardo Teixeira para desmontar a corrupção do futebol brasileiro. Fui acusado de querer tumultuar a Copa do Mundo. E agora? 

2 - Há muitos anos atrás percebi que o fisiologismo estava tomando conta do PT e o chamei de "partido da boquinha". Tinha razão? 

3 - Denunciei uma quadrilha montada por Sérgio Cabral no Governo do Estado. Ele agora está denunciado no Petrolão. Tinha razão? 

4 - Disse que o modelo das UPPs era insustentável e em breve faria água. O que está ocorrendo hoje? 

5 - Declarei categoricamente que a dupla Cabral - Pezão tinha falido o Estado para ganhar a eleição. O que vocês têm a dizer? 

6 - Afirmei que a Globo tinha depositado em paraísos fiscais dinheiro sonegado dos direitos da Copa do Mundo de 2002. Ela negou, mas agora pagou R$ 1 bilhão à Receita Federal. Quem estava mentindo? 

7 - Denunciei Beltrame por superfaturamento no aluguel de viaturas da PM. Riram de mim. Agora foi denunciado pelo MP por improbidade administrativa. Quem estava com a razão? 

8 - Chamei Eduardo Cunha de deputado-lobista e estou respondendo um processo por essa afirmação. Será que eu estava mentindo? 

9 - Mostrei a privatização da saúde nos hospitais estaduais e disse que faltaria dinheiro para pagar as Organizações Sociais. E agora Pezão quem tem razão? 

10 - Denunciei as contas dos familiares de Eduardo Paes no Panamá, no mesmo esquema de José Dirceu. Até o operador é o mesmo. José Dirceu está preso. E Paes, vai ou não vai? 

11 - Fui o primeiro a mostrar ao Brasil a mansão de Cabral em Mangaratiba, suas farras com a Gangue dos Guardanapos em Paris, seu explícito enriquecimento ilícito. Ele está fora do governo há quase dois anos. Alguém pode me informar o endereço onde Cabral trabalha? De onde vem a renda que lhe permite estar todo mês fazendo viagens ao exterior e assistindo shows caríssimos, como recentemente o U-2, e levar vida de rei? 

12 - Avisei que as obras iniciadas pelo Governo do Estado iriam parar depois da eleição. Estão paradas. O Asfalto na Porta virou a porta sem asfalto, e o Bairro Novo virou o bairro do desespero. Estava certo ou errado? 

13 - Agora quem diz que os números da segurança pública são manipulados é a ONU, não sou eu. Quando eu afirmava diziam que era política. Qual o interesse da ONU? 

Poderia fazer muitos outros questionamentos a vocês. Mas essas bastam para começar uma reflexão, entre outras, sobre o time que governa o nosso estado. 

Porque Dilma pode cair

O problema maior de Dilma Roussef (no caso, o único) é não ter comprado os deputados necessários para conseguir a maioria. Lula fez isso e governou. Ela não quis comprar, quis negociar politicamente. Mas eles não querem saber disso, porque representam a parcela do povo que deseja o dinheiro na mão, não importando de onde venha. Então, deu no que deu. 

Nenhum executivo governa sem o legislativo. Dilma deveria saber disso. Como Lula se deu mal no mensalão (só por causa do Roberto, senão nada aconteceria) ela decidiu dar Ministérios e cargos. Ora, essa parcela do nosso povo que votou e vota nos picaretas não quer saber apenas de cargos. Quer dinheiro na mão. Então, com um crápula (que a direita adora) comandando os picaretas (segundo Lula), não há como governar. 

Simples assim.

PM bate em estudante e o pendura de cabeça para baixo

Elissandro da Siqueira dialoga com a PM de Geraldo Alckmin (FOTO MARIVALDO OLIVEIRA)
Geraldo Alckmin foi derrotado pelo estudante Elissandro Dias Nazaré da Siqueira, de 18 anos. Elissandro foi preso, com mais cinco pessoas, num protesto contra a “reorganização” da educação pelo governo de São Paulo.
Tomou as costumeiras cacetadas da PM e, em seguida, foi algemando e carregado de cabeça para baixo numa rua de Pinheiros. “Estou com muito medo. Eles me ameaçaram para ficar calado e sumir, mas vou continuar na guerra”, disse para a reportagem do Uol.
Alessandro resume o espírito dos garotos que estão desmascarando, de maneira implacável, um governante inepto e autoritário. Um cascateiro cuja faceta de coroinha interiorano está sendo atirada no lixo.
Ontem, Alckmin perpetrou mais um de seus disparates: “A polícia dialoga, a polícia conversa, a polícia pede para as pessoas saírem, a polícia dá tempo de as pessoas saírem”.
Ora, a polícia bate, não dialoga e Geraldo tem alguma noção disso (embora, a essa altura, é provável que já esteja confundindo as coisas em seu delírio). O diálogo deveria caber ao governador e seus homens, a começar, nesse caso, pelo secretário de educação Herman Vorwaald, para quem o ensino no estado é “uma vergonha” — o resultado confesso de duas décadas de PSDB, portanto.
Alckmin terá o mesmo destino de seu colega de partido Beto Richa, do Paraná. Richa, classificado por Aécio como “um dos mais qualificados gestores públicos do país”, viu sua popularidade despencar depois de mandar seus soldados descerem o pau nos professores no início do ano, com direito a cenas dantescas como um cachorro tirando um naco da perna de um cinegrafista.
Beto Richa, hoje, é um morto vivo. Ninguém, a não ser um psicopata como, por exemplo, Eduardo Cunha, gosta de ver professores ou estudantes apanhando.
Em 2014, uma matéria laudatória sobre Geraldo na Época o saudava como um dirigente que conseguiu “ler as ruas” e os protestos de 2013. “Alckmin sabia, por intuição e por pesquisas, que a população queria um governo tolerante com os manifestantes pacíficos”, afirmava a revista.
Tolerante com revoltados online, kataguiris e débeis mentais que pedem intervenção militar e truculento com alunos da rede de ensino pública. O Picolé de Chuchu saiu da caverna e mostrou quem é: um rotweiller. Devidamente subjugado e desmoralizado pelos elissandros.
(Matéria de 03/12 do DCM - Kiko Nogueira)

sábado, 21 de novembro de 2015

Por que a África e não a Grécia? Alberto da Costa e Silva responde.

 Guilherme Goncalves - ABL
Quando começou a se interessar pela história da África, o poeta, diplomata e historiador Alberto da Costa e Silva ouviu: "Por que você, um diplomata, um homem tão letrado, não vai estudar a Grécia?"
Justamente porque todo mundo estudava a Grécia, explica, ele resolveu estudar a África. Hoje, é o principal africanólogo brasileiro, autor de clássicos como A Enxada e a Lança: a África antes dos Portugueses e A Manilha e o Libambo: a África e a Escravidão, de 1500 a 1700. E, aos 84 anos, prepara um novo livro para completar sua trilogia sobre história africana.

Formado em 1957 pelo Instituto Rio Branco, Costa e Silva serviu em vários países e foi embaixador na Nigéria. É membro da Academia Brasileira de Letras, autor e organizador de mais de 30 livros. Por sua obra, recebeu em 2014 o Prêmio Camões, o mais prestigiado da língua portuguesa.

Filho do poeta piauiense Antônio Francisco da Costa e Silva, nasceu em São Paulo e viveu no Ceará até aos 12 anos, quando mudou-se para o Rio de Janeiro. Cresceu entre livros e costuma dizer que, como no verso do poeta francês Charles Baudelaire (1821-1867), seu berço "ao pé da biblioteca se estendia".
Foi entre livros, quadros e esculturas, no apartamento em que guarda lembranças de vários lugares do Brasil e do mundo, que ele recebeu a BBC Brasil às vésperas do Dia da Consciência Negra para falar da história do continente pelo qual se apaixonou.

BBC Brasil: Como o Brasil aprendeu a história da África?

Alberto da Costa e Silva: A história da África durante muito tempo foi uma espécie de capítulo de antropologia e etnografia do continente africano. Eram livros que árabes e europeus escreveram sobre suas viagens. Data do fim da Segunda Guerra Mundial a consolidação a história da África como disciplina à parte, semelhante à história da Idade Média europeia, ou à história da China.

Entre 1945 e 1960 seu estudo começa a ganhar grandes voos, tanto na África quanto na Europa, sobretudo Inglaterra e França. Curiosamente o Brasil esteve ausente disso. Os historiadores brasileiros sempre viam a história das relações Brasil-África com a África figurando como fornecedora de mão de obra escrava para o Brasil, como se o africano que era trazido à força nascesse num navio negreiro.

Era como se o negro surgisse no Brasil, como se fosse carente de história. Nenhum povo é carente de história. E a história da África é uma história extremamente rica e que teve grande importância na história do Brasil, da mesma maneira que a história europeia.

De maneira geral, quando se estuda a história do Brasil, o negro aparece como mão de obra cativa, com certas exceções de grandes figuras, mulatos ou negros que pontuam a nossa história. O negro não aparece como o que ele realmente foi, um criador, um povoador do Brasil, um introdutor de técnicas importantes de produção agrícola e de mineração do ouro.

BBC Brasil: O senhor poderia citar alguns exemplos?

Costa e Silva: Os primeiros fornos de mineração de ferro em Minas Gerais eram africanos. Fizemos uma história de escravidão que foi violentíssima, atroz, das mais violentas das Américas, uma grande ignomínia e motivo de remorso. Começamos agora a ter a noção do que devemos ao escravo como criador e civilizador do Brasil.

 Africanos tinham profundos conhecimentos de mineração, conta Costa e Silva

Quando o ouro é descoberto em Minas Gerais, o governador de Minas escreve uma carta pedindo que mandassem negros da Costa da Mina, na África, porque "esses negros têm muita sorte, descobrem ouro com facilidade". Os negros da Costa da Mina não tinham propriamente sorte: eles sabiam, tinham a tradição milenar de exploração de ouro, tanto do ouro de bateia dos rios quanto da escavação de minas e corredores subterrâneos. Boa parte da ourivesaria brasileira tem raízes africanas.

Temos de estudar o continente africano não como um capítulo à parte, um gueto. A história da África está incorporada à história do mundo, porque ela foi parte e é parte da história do mundo. Que a história do negro no Brasil não seja isolada, como se o negro tivesse sido um marginal. O negro foi essencial na formação do Brasil.

BBC Brasil: Qual a importância de um personagem como Zumbi?

Costa e Silva: Havia um suplemento juvenil do jornal A Noite, sobre grandes nomes da história, e eu me lembro perfeitamente de um caderno sobre Zumbi. Zumbi está aliado de tal maneira à ideia de liberdade que é difícil escrever sobre ele sem ser apaixonado.

Zumbi não é um nome, é um título da etnia ambundo, significa rei, chefe. Palmares era como um Estado africano recriado no Brasil. Na África era muito comum isso. Em torno de um núcleo de poder forte se aglomeravam vários povos e formavam um novo povo. Isso é uma hipótese.

BBC Brasil: O senhor vê um aumento do interesse dos brasileiros pela questão negra?

Costa e Silva: Tenho a impressão de que todos temos dentro de cada um de nós um africano. Podemos não ter consciência disso, mas é permanente. Há naturalmente hoje em dia uma percepção mais nítida do que é a África, a escola começa a dar uma visão mais clara.

Mas ainda apresenta visões distorcidas. Uma vez uma professora veio me dizer que era absurdo que apresentássemos Cleópatra como uma moça branca, quando ela era negra. É um equívoco isso. Cleópatra não era negra nem mulata. Era grega. Os Ptolomeus, uma dinastia grega, governavam o Egito e não se misturavam.

BBC Brasil: Na África também havia escravos, não?

Costa e Silva: Escravidão houve em todas as culturas no mundo. Todos nós somos descendentes de escravos. Houve escravidão em toda a Europa, na Indonésia, entre os índios americanos, na Inglaterra. Na África havia todos os tipos de escravidão, e até hoje em certas regiões africanas os descendentes de escravos são discriminados. Quase toda a África teve escravidão.

A escravidão transatlântica, da África para as Américas, a nossa, tem uma diferença básica: pela primeira vez era uma escravidão racial. Era um especial aspecto da perversidade dela. No início não, mas a partir de certo momento, passa a ser exclusivamente negra. Foi o maior deslocamento forçado de gente de uma área para outra que a história já conheceu, e o mais feroz.

O Brasil foi o último país das Américas e do Ocidente a abolir a escravidão. O último do mundo foi a Mauritânia (na África), em 1981.

BBC Brasil: Como analisa o racismo hoje no Brasil?

Costa e Silva: Existe racismo, e muitíssimo. No nosso racismo, não temos um partido racista, mas temos repetidas manifestações de racismo no seio da sociedade. É dificílimo, para um negro, ascender socialmente. A discriminação se exerce de forma muitas vezes dissimulada, mas que os marca muito. Mas está mudando. Sinto mudanças.

É importante que os descendentes de africanos saibam que eles têm uma história tão bonita quanto a história da Grécia. Que eles não eram bárbaros, que não são descendentes de escravos. São descendentes de africanos que foram escravizados.

Para mim o importante não é que haja cota na universidade. Acho que tem de haver cota em tudo. Se você vai se candidatar a um cargo de atendente de hotel de primeira classe, se você for negro, você tem dificuldade. O preconceito é discriminatório. Ele não impede você de usar o mesmo banheiro, o mesmo bebedouro, mas dificulta o acesso (do negro) às camadas das classes média e alta.

(matéria extraída do grupo Roteirices, via Carlos Alberto Júnior, em 20/11/2015)

Davi Loureiro, em casa, recebe lideranças da região

O ex-prefeito de São Fidelis, Davi Loureiro, já recuperado da tentativa de homicídio que sofreu em Miracema, quando foi alvejado com 19 tiros, dos quais dois o atingiram, recebeu ontem, em sua casa, a visita de amigos e correligionários.
 
Líder regional, foi indicado pelo ex-governador Garotinho, seu amigo, para organizar o PR no Noroeste fluminense. Ontem, ele recebeu a visita dos presidente do Partido em Italva (Luiz Carlos Gomes), presidente do PRB de Itaperuna, Jefferson Leite, presidente do PSDB de Itaperuna, Dr. Elias Meiber, e os pré-candidatos a prefeito de Itaperuna pelo PSDB, Dr Nando Gouveia, e Cristina Rios, do PSDB de Italva, 
 
Segundo Luiz Carlos, presidente do PR de Italva, "a visita, sem querer, se transformou em uma reunião muito proveitosa, na qual discutimos assuntos de interesse do Noroeste Fluminense, em busca de soluções para os problemas que afligem os municípios da região". 
 
Na oportunidade, Davi Loureiro telefonou para o ex-governador Garotinho, que conversou com os pré-candidatos Nando Gouveia e Cristina Rios. De acordo com Luiz Carlos Gomes, Muito em breve Davi Loureiro estará de volta na estrada, mantendo reuniões com as lideranças regionais.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

PSDB promove encontro em Itaperuna com pré-candidatos na região

Cristina Rios e Otávio Leite (ao centro)

O PSDB realizou um grande encontro em Itaperuna, no último sábado, com a presença do deputado federal e presidente estadual do Partido, Otávio Leite, e alguns membros da Executiva Estadual. 

Estiveram presentes os pré-candidatos a prefeito dos municípios de Bom Jesus de Itabapoana, Itaperuna, Natividade, Cambuci, Porciúncula, Cardoso Moreira, Aperibé e Italva. 

Na oportunidade Otávio Leite e outras lideranças do Partido disseram que vão mostrar que o PSDB é capaz de vencer as eleições e mudar a vida das pessoas, com uma administração moderna, para o povo e com o povo.

Para Otávio Leite, PSDB é um partido que se posiciona e se renova, fazendo-se cada vez mais forte na região, no Estado e no país.

Cristina Rios, ex-secretária de Assistência Social de Italva, disse que o encontro em Itaperuna foi muito importante e voltou para Italva com a certeza de que o PSDB vai ser responsável por uma grande virada na eleição de 2016, elegendo boas bancadas de vereadores e vários prefeitos na região. 

Cristina Rios com Aécio Neves, em encontro anterior, no Rio