Avelino Ferreira, 63 anos, brasileiro, casado, sete filhos, sete netos. Jornalista; escritor; professor de Filosofia.







terça-feira, 17 de março de 2015

Prefeito de Italva: sinônimo de decepção

Quando o presidente da Câmara de Italva, Wilson Nogueira, indicou seu filho para ser o motorista do prefeito Leonardo Guimarães e este aceitou, muita gente em Italva estranhou. A relação de Wilson com seu filho, Weider Nogueira, é bastante estreita, como não poderia deixar de ser, quando pai e filho são amigos. Daí que o prefeito, tendo Weider como motorista e amigo íntimo, tem seus passos monitorados de tal ordem que Wilson se gaba de "ter o prefeito nas mãos", ou seja, sabe de tudo que o prefeito faz.

Uma relação que é tida, por muitos, como promíscua, politicamente falando. Um chefe de executivo tem que se resguardar. Até mesmo para não ficar refém daquele que é pago pela sociedade italvense para fiscalizar seus atos. Tendo o filho do presidente da Câmara como confidente, põe no chão a independência entre os poderes. A relação acaba sendo desvirtuada e pode chegar (se ainda não chegou) a um "toma lá dá cá", que macula as duas instituições, que têm que resguardar o distanciamento necessário e inerente ao sistema republicano.

Algumas pessoas já pensam que essa relação íntima, sem distanciamento, tem atrapalhado a administração e seria por isso também que Italva não deu um passo à frente com a gestão do atual prefeito que pode estar sendo refém daqueles que pensam com o umbigo. Diriam os analistas políticos que, com essa relação, o prefeito de Italva deu um tiro no pé e não consegue cuidar da ferida que poderá levá-lo à morte política. Em verdade, essa morte parece já anunciada quando já se começa a discutir as eleições de 2016 e seu nome tornou-se sinônimo de decepção.

domingo, 15 de março de 2015

Texto para dias de protestos contra a democracia

Os anos de chumbo e nossa omissão

texto de Avelino Ferreira para aula (2006)


O golpe militar no Brasil, em 1º de abril de 1964, havia sido preparado anos antes. Documentos liberados pelos americanos 30 anos depois daquela data revelaram as manobras da Central de Inteligência Americana, a famosa CIA, para desestabilizar o Governo de João Goulart e criar as condições para o golpe e a tomada do poder. Centenas de jornalistas, escritores e sociólogos foram contratados para desencadearem uma campanha de desestabilização do Governo e muitos políticos receberam apoio para, eleitos, defenderem os interesses americanos. Para apoiar o golpe, caso houvesse resistência por parte da população e/ou Governo, os americanos prepararam os mariners (soldados bem armados que, afinal, não foram usados justamente pela não reação das forças democráticas aos golpistas).
Os próprios americanos, 30 anos depois, escreveram muitos livros, baseados em documentos, sobre as manobras patrocinadas por eles para desestabilizarem João Goulart. Historiadores brasileiros e jornalistas também tiveram acesso a essa documentação e escreveram muitos livros sobre o golpe e suas conseqüências. A própria TV Globo, que nasceu apoiada pelos americanos e pelos militares brasileiros que desejavam derrubar a TV Tupi, considerada nacionalista, passou a denominar de Golpe de Estado o movimento militar de 1964, que até o início da década de 1990 era, para ela, uma Revolução, como se o povo é que tivesse derrubado o Governo.

Os americanos precisavam dominar o Brasil
O que os americanos (com industriais, latifundiários, banqueiros e empresários brasileiros aos quais se aliaram) desejavam era o controle do maior país da América Latina. Para isso, precisavam evitar as reformas de base (reforma agrária, reforma na educação etc.) Na verdade, eles tentaram controlar o Brasil desde o segundo Governo Vargas (1951/1954). Vargas suicidou-se. Tentaram desestabilizar Juscelino Kubitscheck e quase conseguiram. Forçaram a renúncia de Jânio Quadros seis meses após ele ter assumido a Presidência da República, em 1961. Naquele momento, impediram a posse do vice, João Goulart que só assumiu porque Leonel Brizola, com apoio do III Exército (sediado no Sul), resistiu e pegou em armas para defender a Constituição. Mas Goulart, para assumir, teve que aceitar uma Emenda Constitucional que criava o Parlamentarismo, regime pelo qual o presidente é figura decorativa. Chefe de Estado, mas não Chefe de Governo. No Parlamentarismo quem governa é o Congresso, através de um Primeiro Ministro indicado pelos deputados.
Com a campanha liderada pelo Brizola (que veio para o Rio de Janeiro, se elegeu deputado e percorreu o país unindo o povo em torno da proposta de um plebiscito no qual a Nação diria SIM ou NÃO ao Parlamentarismo) o povo foi às ruas e votou contra a Emenda Parlamentarista. Goulart reassume a chefia do governo com plenos poderes. Mas ao anunciar as reformas (até hoje necessárias, exigidas e não concretizadas) os militares desfecharam o golpe, apoiados pelo governador de Minas Magalhães Pinto e o governador do então Estado da Guanabara, Carlos Lacerda. Os americanos estavam por trás de todas as articulações. Temiam que o Brasil fosse independente e se tornasse socialista, como Cuba, 05 anos antes.

A ditadura persegue, prende, tortura e mata
Após o golpe no dia 1º de abril de 1964, é editado o Ato Institucional nº 1, no dia 09, pelo qual o governo, que intitulou-se “revolucionário”, punia uma série de pessoas consideradas “inimigas do novo regime”. O marechal Humberto de Alencar Castelo Branco assume no dia 11. Os militares queriam mostrar que o novo regime era democrático e elegeram, por via indireta, o marechal. Em novembro, é editada a lei que proibia atividades políticas por parte das organizações estudantis. Em 27 de outubro de 1965, é editado o Ato Institucional nº 2, cassando muita gente. Vieram outros atos institucionais e dezenas de atos complementares, sempre restringindo as liberdades ao povo e aumentando o poder dos militares. O Governo tinha minoria no Congresso e não gozava de simpatia por parte da população. Daí, cassava deputados, prefeitos, governadores. Os Partidos políticos são dissolvidos e criados ARENA e MDB. 
Em outubro de 1966, por via indireta (só os parlamentares votavam), é eleito para presidir a República o general Artur da Costa e Silva, que assume a 15 de março de 1967. Em 1968 Costa e Silva adoece. No fim daquele ano assume o Governo uma junta militar que edita o AI-5. Depois, elege, indiretamente, o general Emílio Garrastazu Médici, que governa o país com mão-de-ferro até 1974. Médici endurece o regime. Com o AI-5, tinha plenos poderes, como um Rei. Até a Justiça ficava sob seu comando. A reação então não veio do povo, que temia as mortes, torturas e prisões que vinham ocorrendo. Veio de pequenos grupos que, sem opção, pegaram em armas para combater o regime. Foi o período mais violento da ditadura. Em seguida veio Ernesto Geisel (1974/1979) e, finalmente João Baptista de Oliveira Figueiredo (1979/1984).
O período da ditadura militar, ainda desconhecido pela maioria do nosso povo, foi o período da americanização do Brasil. Chegamos ao ponto de termos uma lei para garantir que a música brasileira tocasse nas rádios. O gosto pelo que era americano foi-nos imposto de tal maneira que, para fazer sucesso, muitos artistas cantavam em inglês com nomes ingleses. O cinema foi dominado pelos americanos. Nas escolas, o ensino de Francês foi substituído pelo inglês, obrigatório. Até à nova LDB isso era uma realidade. De 1996 para cá, o Espanhol também passou a ter vez no ensino. A educação e a saúde foram sucateadas para que os empresários pudessem entrar no setor. A escola particular e os hospitais particulares proliferaram, inclusive recebendo verbas do Governo. Fizeram do público algo privado e a corrupção era acobertada, com a imprensa censurada.



Artistas sofrem com a censura
Cantores como Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia, Geraldo Vandré, Taiguara e outros tiveram que deixar o país. Vandré, por ter sido acusado de só falar em povo, pobreza etc. e nunca falar de beleza, de flores etc. compôs a música Caminhando, a qual deu o nome de Pra não dizer que não falei das flores. Foi premiado no Festival Internacional da Canção de 1968, quando ficou em segundo lugar, e a música virou hino nacional rapidamente. Os militares proibiram a música, prenderam e torturaram Vandré e o expulsaram do país. Ele só voltou após a ditadura e não fala sobre sua obra. Não dá entrevista. Chico Buarque adotou o nome de Julinho de Adelaide para poder evitar a censura e gravou um disco com esse nome. Caetano, no exílio, recebe uma homenagem de Roberto Carlos, que compõe Debaixo dos caracóis de seus cabelos, referindo-se a ele e à saudade de sua terra, à qual um dia retornaria, segundo Roberto. De fato, voltou dois anos depois cantando “Leãozinho”. Foi uma decepção mas... é coisa de artista.
No teatro, quase todas as peças eram censuradas e proibidas. O dramaturgo campista Winston Churchill teve quatro peças proibidas e só liberadas na década de 1980, assim como Plínio Marcos, dramaturgo paulista. As pessoas, entre 1968 e 1979, ano da anistia, viviam com medo. Os jornais e TVs eram censuradas, reuniões eram proibidas, os sindicatos sob censura e vigilância. Em Campos, como de resto em quase todo o país, as famílias de nada sabiam. Não se podia pronunciar as palavras operário e proletário. Comunista era um palavrão, um xingamento. A sociedade se omitiu e só reagiu quando tudo estava consumado. Aí, já era tarde. Os ricos ficaram muito mais ricos. Hoje, muitos choram seus mortos. Reclamam da saúde e educação ruins, mas contribuíram para que assim fosse. Só tiveram “coragem” com a anistia, quando os movimentos passaram a ser permitidos pelos militares.

Prisões em Campos
Em Campos, no dia 11 de abril de 1964, morreu o prefeito Barcelos Martins. Ele estava no Rio quando sua casa foi invadida pela polícia. Soube da notícia e teve um infarto. Irineu Marins, Olavo Marins, Almirante Costa, Tarcísio Tupinambá, Delso Gomes, Jacyr Barbeto, Fernando Machado e tantos outros intelectuais, políticos e líderes sindicais foram presos. Delso ficou preso sete meses no Rio. Hoje ele preside a Associação dos Aposentados e Pensionistas e lançou um livro contando parte dessa história. Fernando Machado ficou muito tempo preso na Ilha Grande. Jacyr Barbeto teve o mandato de vereador cassado. Muitos outros fugiram. Em 1969, o médico César Ronald, após ser preso, foge para o Uruguai. Seu irmão, Avelino Leôncio, é preso, torturado e, para não morrer, foge e se exila em Portugal. O deputado Adão Pereira Nunes foi cassado em 1964. Antônio Carlos Pereira Pinto e Sadi Coube Bogado, deputados federais, foram cassados em 1969.
O que os americanos desejavam, conseguiram: um povo subjugado, alienado e dócil. Os capitalistas a eles ligados conseguiram o que queriam: enriqueceram, evitaram as reformas e mandam no país até hoje. Com as novas tecnologias, já não precisam de armas. Um exemplo é o atual Governo. Controlado pelos capitalistas, Lula faz o jogo dessas elites. E, usando a Justiça e os favores de parte a parte, impede que Garotinho se candidate, pois Garotinho se constitui num perigo para o “statu quo”. Como fizeram com o Brizola em 1984, ao impedirem eleições diretas. Agora, reeleito, Lula diz que quando era jovem, era da esquerda (ou seja, a favor dos trabalhadores), mas “amadureceu” e, agora, faz o jogo da direita, posta-se como um liberal, capitalista brando (se é que isso existe) do lado dos empresários, tentando conciliar capital e trabalho. Vergonhoso.

Cuba, único país a resistir
Sem forças para reagir no diálogo, até porque as elites dialogam mas nada fazem para mudar a realidade, parcela do povo reage com a força. Por isso o surgimento do MST, no Paraná, com apoio da Igreja católica, em 1984 e, agora, o MLST. No caso dos miseráveis incrustados nas favelas dos grandes centros, eles reagem à força, mas em causas particulares e não públicas, o que se constitui num perigo para toda a população, pois agem com violência contra o próprio povo. Os militares, enfim, evitaram as reformas que o país precisa e que parte do mundo fez há muito tempo. Depois do golpe no Brasil, os americanos patrocinaram golpes militares na Argentina, Uruguai, Bolívia, Paraguai e Chile. Dominaram a América Latina que é o quintal deles. O único país a resistir aos seus ataques foi Cuba, mas há 50 anos o povo cubano sofre um bloqueio econômico de tal ordem que não consegue progredir, embora tenha a melhor educação e a melhor saúde das Américas e o melhor esporte da América Latina. Afora o fato, confessado pela CIA, de que os americanos patrocinaram mais de 300 tentativas de assassinar Fidel.
Registre-se que, a partir da anistia em 1979, e o retorno de muitos exilados, muitas foram as reações ao regime, que respondeu com prisões, perseguições, torturas e assassinatos. Mas, com a economia indo de mal a pior, os militares foram cedendo espaço. No entanto, sem perder o controle. Tanto que as eleições diretas não ocorreram em 1984, pois temia-se que Leonel Brizola fosse eleito. A eleição presidencial foi indireta e Tancredo ganhou de Maluf. Morreu Tancredo e assumiu Sarney, que foi um desastre. Não podemos nos esquecer da bomba que explodiu no colo de um militar que iria jogá-la no Riocentro, durante um show musical em comemoração ao Dia do Trabalhador, no Riocentro, em 1981. Culpariam os comunistas. Milhares de pessoas morreriam, pois os portões foram fechados. Ataques terroristas vitimaram pessoas na OAB e na Câmara de Vereadores do Rio. Todos os nossos passos aqui em Campos, de 1979 a 1984 foram vigiados pelos órgãos de repressão.





Músicas denunciam o regime
Uma das músicas de Chico denunciando a ditadura:
Acorda amor
            Acorda amor, eu tive um pesadelo agora
            Sonhei que tinha gente lá fora
            Batendo no portão, que aflição.
            Era a dura, numa muito escura viatura,
            Minha nossa santa criatura
            Chame, chame, chame, chame o ladrão.
                        Acorda amor, não é mais pesadelo nada
                        Tem gente já no vão da escada
                        Fazendo confusão, que aflição
                        São os “home”, e eu aqui parado de pijama
                        Eu não gosto de passar vexame
                        Chame, chame, chame, chame o ladrão.
Se eu demorar uns meses

            Convém, às vezes, você sofrer

            Mas depois de um ano eu não vindo,
Ponha a roupa de domingo e pode me esquecer
Acorda, amor, que o bicho é bravo, não sossega
Se você corre, o bicho pega,
            Se fica, não sei não. Atenção:
Não demora, dia desses chega a sua hora.
Não discuta à toa, não reclame,
Chame, la clame, chame, la clame, chame o ladrão, chame o ladrão.
Não esqueça a escova, o sabonete e o violão.
           
            Muitas outras músicas de protesto contra a ditadura foram gravadas. Algumas censuradas, proibidas. Mas a que ficou até hoje como símbolo da resistência dos artistas, sem dúvida, foi a música de Geraldo Vandré, proibida de 1969 a 1980:
Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando):
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Somos todos iguais, braços dados ou não

            Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas, marchando, indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo canhão
Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão;
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão
Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição
Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer.

Enfim, os americanos venceram: somos um povo submisso

Os militares encobriam a corrupção com a censura. Quando o economista Roberto Campos faliu um banco do qual era sócio, o Governo cobriu tudo e o nomeou embaixador em Londres. Outro economista, Delfim Netto, como ministro da Fazenda, causou um estrago na economia fraudando os dados da inflação e foi nomeado embaixador em Paris. Voltaram anos depois como se nada tivesse acontecido. Roberto Campos se elegeu senador pelo Rio e Delfim Netto, deputado federal por São Paulo. Antes, no Governo Figueiredo, Delfim foi nomeado ministro da Agricultura e, depois, ministro do Planejamento. Os atos de corrupção do pessoal ligado ao Governo eram proibidos de ser publicados, assim como eram proibidas as matérias que tivessem as palavras operário, proletário, ditadura, Golpe de Estado e matérias que tivessem alguma coisa a ver com os direitos humanos.
Aqui em Campos, Alair Ferreira, que era contador prático e membro da Associação Comercial e Industrial, conseguiu se eleger deputado com as cassações dos deputados contrários à ditadura. Ele era suplente de deputado e assumiu a vaga de um dos cassados. Associou-se ao ministro Mário Andreazza e sua firma fez obras no Brasil inteiro. Ficou milionário e se elegeu várias vezes. Quando o regime militar acabou, seus votos minguaram. Ele morreu logo depois. Outros que ganharam muito dinheiro com os governos militares foram os usineiros. Pegaram milhões de dólares que nunca pagaram. Quando acabou o regime militar, faliram. Todos eles. Evaldo Inojosa, dono da Usina de Outeiro, tinha avião particular. Geraldo Coutinho, dono da Usina Paraíso, em Tocos, tinha avião particular. Viviam como príncipes. Acabou o dinheiro do Governo, eles faliram. Faliram mas não foram obrigados a pagar suas dívidas e, com altos salários do IAA, com receitas de terras arrendadas, jamais conheceram dificuldades básicas.

Décadas de mudanças no comportamento
Durante o regime militar, o mundo sofreu muitas transformações, começando pelos Beatles e os Roling Stones, depois, Bob Dylan, Janis Joplin, Jimmy Hendrix e o Festival de Woodstock nos Estados Unidos em 1969. As barricadas de Paris em 1968, na França, quando os jovens foram às ruas exigir mudanças, foram um marco dessas mudanças de comportamento. Surgiram os hippies, a contestação através das roupas coloridas, do blue jeans, dos cabelos compridos, das relações sexuais livres. No Brasil, surge o Iê, iê, iê e a Jovem Guarda com um comportamento espontâneo, livre. Raul Seixas dá o tom maluco beleza em protesto contra a farsa montada pela ditadura. Surge a Tropicália com os baianos Caetano, Gil, Bethânia e Gal e todo um modo de ser que era contrário a tudo que existia até então. A mini-saia, as mulheres usando calças compridas (o que foi considerado um absurdo), as calças pantalonas, os cabelos compridos, os barbudos, as bolsas tira-colo e as mochilas. Foi uma verdadeira revolução no comportamento que os militares nada puderam fazer, embora tratassem os jovens como rebeldes e com desprezo. Esse movimento nada tinha a ver com os militares, mas ocorreu durante o regime militar e foi tido como contestação à ditadura.

Gerações dóceis
Os males que a ditadura militar causou ao Brasil e aos brasileiros ainda vão continuar prejudicando o povo por muitos anos. A geração que nasceu em meados dos anos de 1960 até os anos 1990, é uma geração que detesta política, acredita que todos os políticos são iguais e aprenderam que o honesto é um idiota, pois o bom é levar vantagem em tudo, como disse o Gerson, jogador da seleção brasileira de 1970, ao fazer uma propaganda de cigarro naquela época. Essa geração que tem hoje entre 33 e 50 anos, assimilou o individualismo americano e não é solidária. Quer se dar bem na vida e tem um lema: Cada um por si e Deus por todos. Essa geração tem filhos e ensina seus filhos a cuidarem de suas próprias vidas, sem se importarem com os outros. Assim, vivem numa grande competição e querem cada vez consumir mais. É uma geração sem causa, que nada cria e só reclama. Seus filhos, hoje com idades entre 12 e 25 anos, nunca têm os pais, que só pensam em trabalho e compensam a falta da presença deles em casa com bens de consumo. A geração que se forma também é uma geração sem causa. A vida não tem sentido ou, se tem, o sentido está no consumo, no ter e não no ser. Igualzinho os jovens americanos, tão bem retratados nos filmes Beleza Americana e Kids.  

Ao estudar o período do regime militar, os poucos jovens que ainda pensam começam a entender uma série de coisas que deviam saber há muito tempo. Seus pais nunca tiveram interesse, nem os professores, até agora, disseram alguma coisa importante sobre a época. Até as músicas os jovens não entendem, porque não sabem da importância do que ocorreu entre 1964 e 1984. Um exemplo é Chico Buarque quando ele canta a música Acorda amor, que diz “acorda amor, eu tive um pesadelo agora, sonhei que tinha gente lá fora, batendo no portão, que aflição”, referindo-se à polícia da ditadura que ia prendê-lo e ele diz “chama o ladrão, chama o ladrão”. Ou quando Elis Regina canta O bêbado e o equilibrista, quando diz “chora a nossa pátria mãe gentil, choram marias e clarisses no solo do Brasil”, referindo-se à dor dos que partiram, expulsos ou fugindo da ditadura. A própria música Caminhando, de Vandré, é cantada pelos jovens que não entendem que ela é um hino contra a ditadura, um canto à liberdade. Enfim, o imperialismo americano conseguiu o que desejava: um povo submisso e afinado com a cultura do ter e não do ser. Gerações sem perspectiva, capazes das maiores violências e sem parâmetros morais e éticos. Um arremedo de nação cujo povo prefere entregar seu destino aos deuses, em vez de forjar seu próprio destino. Uma lástima. Como diria um filósofo rejeitado pela burguesia e religiosos, Friedrich Nietzsche, os tempos são niilistas, de ni hil que significa nada. Ou seja, vivemos uma fantasia acreditando ser a realidade. Hoje, as marias e clarisses choram seus mortos pelo tráfico ou por causa dele. E pior: não há luz no fim do túnel. O futuro depende de nós e nós preferimos a omissão. Infelizmente.   

terça-feira, 10 de março de 2015

O prefeito de Italva perdeu o rumo

Embora tendo sofrido muitas traições políticas em toda sua história, o ex-governador Garotinho, maior liderança política, hoje, no Estado, é correto afirmar que ele sente mais uma: a do atual prefeito de Italva, Leonardo Guimarães, o Leozinho do Banco, que se elegeu, juntamente com seu vice, o ex-prefeito Glycério Rocha, com seu total apoio e acabou aliando-se ao atual governador do Estado, Luis Fernando Pezão.

Em verdade, o prefeito de Italva declarou apoio a muitos candidatos na última eleição e não apoiou nenhum. Os candidatos mais votados em Italva foram Clarissa Garotinho para a Câmara Federal e Jair Bittencourt para a Assembléia Legislativa.Uma vitória do PR, com apoio do ex-prefeito Joelson Soares e Dr. Roninho.

E mais, a secretária de Assistência Social de Italva, Cristina Rios, a única que dava visibilidade ao município com ações importantes e bastante elogiadas e divulgadas, foi exonerada a pedido de adversários do PR, partido ao qual ela é filiada. 

Sofrendo um desgaste do qual não encontra saída, Leonardo Guimarães não conta com uma equipe capaz, administrativa e politicamente, de sair do estado de letargia. Com a atual crise nacional, Italva, que já caminhava a passos de cágado, estagnou de vez. No desespero, jura de pés juntos que é Pezão desde Garotinho, na esperança que o governador faça alguma coisa por Italva, já que ele, eleito para dar uma nova dinâmica a administração, nada fez. 

Todavia, o Estado está enterrado em dívidas desde a era Cabral, tendo a crise se agravado agora, com a recessão econômica. Por isso mesmo, dificilmente o governador vai fazer algo por Italva. Nem o prefeito fez por onde angariar simpatia e confiança das lideranças políticas, que nele não confiam. Estando no DEM, partido de César Maia, não o apoiou. Recebeu apoio de Riverton Mussi e Adrian Mussi e também não os apoiou. Foi o candidato do Garotinho e deu-lhe as costas no último pleito. Prometeu apoio a Paulo Feijó e não cumpriu a promessa. 

Enfim, perdeu a credibilidade que conquistou na campanha de 2012, quando apresentou-se como a novidade, a renovação, o "sangue novo". Nas ruas, foge do povo, pois não tem o que dizer. O marasmo vivido hoje por Italva está causando a indignação de parte da população. Indignação que tende a aumentar com a insatisfação dos comerciantes e as comunidades periféricas. Já se ouve nas ruas que seus dias estão contados. Definitivamente, o prefeito de Italva perdeu o rumo. 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Garotinho faz a cidade debater política

Garotinho forjou na luta sua liderança





O que os ingênuos politicamente não sabem, é que liderança não é algo que se obtém apenas por querer, ou porque alguém se diz líder ou, ainda, por estar à frente de um movimento num determinado momento. A liderança é forjada na atuação. Não basta discursar, pois, por melhor que seja o orador não quer dizer que, por isso, ele é líder.

Garotinho forjou sua liderança na luta diária contra os que exerciam o poder, em diversas instâncias. Podem até dizer que ele tem espírito de liderança. Mas isso não basta. Teve a humildade de aceitar a liderança do Brizola, quando ingressou no PDT. Chegou a imitá-lo, durante um tempo. E Brizola era um grande líder. Liderança forjada na luta e que havia aceitado ser liderado por outro grande líder: Getúlio Vargas. Também chegou a imitar o Presidente quando iniciou sua carreira. 1

Assim, com essa "escola", Garotinho não discursa, conversa. Tenha na plateia uma dúzia de pessoas ou milhares de pessoas. Ele conversa. Assim como o Brizola. Forjando na luta sua liderança, sem dinheiro, sem apoio de empresários (na sua campanha teve um Passat e um motorista, cedido pelo irmão do saudoso Adão Pereira Nunes, Paulo Pereira Nunes), elegeu-se deputado. O mais votado em Campos. Foram 33 mil votos em 1986, contra 30 mil de Sérgio Diniz, candidato do todo poderoso Zezé Barbosa. Sim, teve o apoio do Brizola, reconheçamos. Mas não foi o único.

Em 1988 elegeu-se prefeito. Embora deputado, não tinha recursos para a campanha. Perdeu o programa de rádio e, com tenacidade e perseverança, oi às ruas com seu programa de rádio em cima de um caminhão. O caminhão era meu. Parei com meu comércio para, diariamente (toda noite na verdade) ele e Rosinha continuarem com seu Fala Garotinho. A Justiça Eleitoral proibiu. Focamos na campanha. E ele venceu as grandes forças políticas de Campos. O prefeito era Zezé e o governador do Estado era Moreira Franco.

Fez uma administração que colocou seu nome na história. Elegeu seu sucessor e foi conquistar a Guanabara. Missão quase impossível. Um ex-prefeito do interior, conquistar a Guanabara. Mas obteve uma votação extraordinária, que o credenciou a uma nova tentativa quatro anos depois. Retornou a Campos e numa situação adversa, sem recursos nem mesmo para comprar fita K-7 para enviar os programas de rádio e fitas de vídeo para os programas de televisão. Venceu a eleição.

Em 1998, deixou a Prefeitura com o vice-prefeito e novamente percorreu o Estado na campanha vitoriosa que o levou ao Palácio Guanabara, onde entrara pela primeira vez em 1983, quando o apresentei ao Brizola. Ele ainda era do PT. Antes de terminar o mandato, saiu para se candidatar à Presidência da República. Sem tempo na TV, com um partido minúsculo, o PSB, obteve uma votação que surpreendeu a muitos analistas políticos. Foram 16 milhões de votos. 

Na oposição, elege Rosinha, sua esposa, governadora em 2002. Sua administração foi considerada pela crítica como a melhor do país (entre os governadores) e uma das melhores  da história do Estado. No PMDB, em 2006, foi impedido de ser candidato, mesmo ganhando as prévias do Partido, conforme o estatuto. Foi dado como "morto" politicamente. Voltou a Campos e conseguiu, com a candidatura de Rosinha, vencer a força da corrupção que estava instalada no município e se tornava endêmica. Ao mesmo tempo, elegeu sua filha vereadora no Rio.

Dois anos depois, elege-se com a maior votação nominal da história do Estado: 700 mil votos. Ao mesmo tempo, sua filha se elege deputada estadual e Paulo Feijó, deputado federal, além de Roberto Henriques, deputado estadual que deixou sua liderança para ficar ao lado do poder do Estado. Na Câmara, projetou Campos, conseguindo recursos para diversas áreas da administração. Ajudou Dilma que estava para ser derrotada pelos abutres do Congresso na questão dos portos, recebendo dela muitos elogios. 

Agora, retorna a Campos e, não aceitando cargos importantes no Governo Dilma, em vez de discutir com ministros, governadores e a própria Presidente, discute com vereadores... Bom para o exercício político, mas o nível é outro. Está cá embaixo. De qualquer maneira, revela mais uma vez seu amor por Campos. Os interioranos que se elegem governadores, não saem mais das capitais. Garotinho, não. Vota na sua cidade, retorna à sua cidade e debate na sua cidade. 

A despeito das divergências políticas, saudáveis numa democracia, até os adversários devem reconhecer: Garotinho ama sua cidade, enfrenta as situações de peito aberto, e faz a cidade debater, polemizar. Ele é o centro dos debates: seja contra ou a favor. É uma liderança que tem que ser reverenciada. Só os despeitados não reconhecem isso.

Prefeito de Italva elogia Carnaval de Cardoso mas não apoia o de Italva

Prefeito de Italva (de boné) no Carnaval de Cardoso Moreira

O prefeito de Italva, Leonardo Guimarães, após exonerar Cristina Rios, a única secretária que atuava, com seu trabalho sendo repercutido no Estado e, até, no sul do Espírito Santo, revelou sua inabilidade política e seu menosprezo pelos italvenses ao participar do Carnaval de Cardoso Moreira, tecendo elogios à festa momesca do município vizinho, quando não deu importância nem apoio aos carnavalescos e ao Carnaval de italva.

Sem justificativa, negou qualquer apoio à festa popular. Se a causa foi a falta de recursos, poderia explicar aos carnavalescos. Mas o que se sabe é que não foi o caso. Se foi porque ele misturou religião com política, menosprezando o Carnaval (o que seria ilegal e imoral, porque ele foi eleito para ser prefeito de todos os italvenses), não participaria nem elogiaria o Carnaval de Cardoso Moreira. E mais: se elogiou o Carnaval de Cardoso e foi lá participar, é sinal de que assume que Carnaval, festa do povo,é importante culturalmente. E aí cabe a pergunta: se assim é, por que tratou com desprezo o Carnaval de Italva?

De qualquer maneira, as incoerências de de Leonardo Guimarães fizeram-no perder o crédito entre grande parte dos italvenses, que ele enganou, porque foi eleito para ser o novo, para dinamizar a cidade que estava precisando de uma sacudida. Até agora, não disse a que veio. Quando digo que ele exonerou a titular da única Secretaria que estava atualmente de verdade, a de Assistência Social, o faço por ser verdade e os fatos comprovam. Agora, a cidade voltou aos tempos de Darli, enterrando-se cada vez mais na sua estagnação econômica e cultural.

Leonardo Guimarães também traiu o povo de Italva, pois foi eleito por um grupo político liderado pelo Garotinho e apoiou a reeleição de Luiz Fernando Pezão ao Governo do Estado.  O vice-prefeito seguiu seus passos. Tanto é que os candidatos do PSDB, Partido de Glycério Rocha, não obtiveram votos nem da sua família. Creio que o fim de Leonardo Guimarães será melancólico. A n
ao ser que os italvenses estejam anestesiados e satisfeitos com sua administração.

Câmara de Italva não cassa vereador e MP é acionado

 Antonio Elias com sua esposa, Pâmela
 
Como noticiei aqui no dia 18 de dezembro, o vereador de Italva Anonio Elias Ancelmé, por ter faltado a 31 sessões (o máximo permitido são 26) da Câmara de Vereadores em 2014, pode ter seu mandato cassado. O vereador também mudou de partido, pois foi eleito pela coligação PRP/DEM/PSDB e ingressou no Partido da Solidariedade. Constatado o fato, a suplente da coligação, Marinete da Silva Barcelos Teixeira, a Marinete de Morro Grande, reivindica a cadeira do seu ex-colega de partido. 

Todavia, o presidente da Câmara de Italva, Wilson Nogueira, não tomou providências, como determina a lei e o regimento interno. Foi protocolado (protocolo 3083 de 06/01/2015) ofício junto à Câmara de Vereadores pedindo o afastamento do vereador por ele ter descumprido o regimento interno. Também foi comunicado ao Ministério Público para que seja instaurado inquérito para averiguação e constatação do fato, requerendo as medidas punitivas.

A suplente Marinete Teixeira acredita que Antônio Elias Ancelmé ainda não foi afastado definitivamente porque é filho do ex-prefeito de Italva, Darli Ancelmé e primo do atual prefeito, Leonardo Guimarães. Como o presidente da Câmara, Wilson Nogueira, tem interesses na Prefeitura (seu filho, inclusive, é amigo e motorista do prefeito), não vai cumprir a lei se não for obrigado pelo Judiciário, os partidários de Marinete e pessoas de bem da comunidade devem pressionar politicamente para que a Câmara faça o que preceitua o seu regimento interno.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Câmara de Vereadores reabre com sessão nesta terça-feira

Edson Batista: sessões às 17 horas

A Câmara Municipal de Campos inicia seus trabalhos este ano com a volta das sessões plenárias no dia 24 deste mês. A sessão ordinária volta para seu horário habitual, de 17 horas . Para começar o ano legislativo, os vereadores receberão um representante do Governo Municipal que irá falar sobre os planos de gestão para 2015, bem como as medidas adotadas na administração para o enfrentamento da crise econômica.
“Os vereadores terão a oportunidade de se inteirar mais sobre as mudanças realizadas pelo município, como a redução de gastos e a diminuição do número de secretarias e possivelmente, a fusão de outras, medidas de ajustes que tem sido anunciadas pelo Executivo. Na mesma oportunidade também vamos expor também aos demais vereadores a questão dos ajustes que podemos fazer na Câmara para nos adaptar a este período crítico”, explicou o presidente do Legislativo, vereador Edson Batista.
Além de anunciar o retorno das sessões do Legislativo após o recesso parlamentar, Batista, marcou o início dos trabalhos do Parlamento Mirim. “Teremos quatro sessões ao longo do ano com os nossos jovens vereadores. A primeira delas será no mês de março”, afirmou.
O presidente também ressaltou a importância da primeira reunião do Parlamento Regional que será realizada no dia seguinte (25), às 15 horas, que terá como assunto o enfrentamento da crise.
“Temos um cenário de dois anos de crise daqui pra frente. Precisamos organizar uma agenda positiva para lidar com este momento e nos preparar para o crescimento que virá a seguir. Por isso, é de extrema importância estarmos unidos para enfrentamento deste ciclo de dificuldades, sem perder o foco nos projetos e investimentos estaduais e federais em torno das demandas regionais e ainda debater o futuro”, disse.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Aos carnavalescos de Santa Maria, Santo Eduardo, Morro do Coco etc.


Escrevi o texto abaixo para um comentário postado no Blog do Bastos. Com algumas modificações, enviei-o ao Blog do Werneck e, agora, publico aqui, pois achei pertinente, já que as comunidades insistem em culpar a Prefeitura pelo não patrocínio de suas festas. As mesmas comunidades que acusam o poder público de gastar com festas...

Carnaval é festa do povo. Sempre foi organizado pelo povo. Seus ranchos, cordões, blocos, seus bailes nos clubes… enfim, é uma festa popular. No chamado desfile oficial das escolas e blocos (depois, também, os bois pintadinhos, que viraram “bois de samba”) a Prefeitura auxiliava com a estrutura e alguma ajuda financeira. Mais tarde essa ajuda passou a ser uma subvenção, como é hoje.

No caso de Santa Maria, o Carnaval era uma grande festa quando a agricultura rendia frutos e o comércio, surgido para dar suporte ao movimento na estação de trem, fervilhava. A partir da década de 1970, a agricultura foi abandonada porque a necessidade de consumo aumentou e atividade não rendia o suficiente para sustentar essa exigência da atualidade. A Usina Santa Maria faleceu, assim como, antes, os trens. O Carnaval perdeu seu brilho.

Com a resistência do comércio e o encurtamento das distâncias entre as cidades, os moradores passaram a trabalhar em Campos e outros lugares próximos e na década de 1990, o movimento central e o Carnaval tiveram um apelo maior. No final daquela década, a Prefeitura passou a dar toda infra-estrutura, incluindo shows nacionais, tanto na festa da padroeira como no Carnaval. A comunidade acostumou-se a depender do poder público e cada vez exige mais nas festas.

Critica o poder público pela realização de shows e pede (exige) cada vez mais… shows. E a Prefeitura deu tudo até o ano passado, mesmo com a reclamação dos moradores que desejam sempre mais… shows. Agora, a Prefeitura, pelo que vejo, não cedeu estrutura nem shows. A comunidade mostrou que é possível realizar uma festa popular sem ajuda de terceiros. Nada mais justo, porque o Carnaval, por exemplo, é uma festa eminentemente popular. Parabéns ao povo de Santa Maria! Só não entendo as críticas ao poder público por não dar dinheiro para o Carnaval.

Lembro o que todos sabem, todas as comunidades (muitas centenas delas, incluindo distritos, localidades, bairros) pedem shows e estrutura para suas festas. Santo Eduardo, por exemplo, vizinho a Santa Maria, tem uma história similar, de exigências e, mesmo atendidas, reclamações. O correto é uma festa popular ser promovida e organizada pela população. O poder público deve incentivar, fomentar, e apoiar. Não patrocinar, como desejam os moradores das localidades.

Reconheço que o show e a festa, unem a comunidade, de tal maneira que ela é capaz de fazer protestos pelo pouco apoio ou nenhum apoio financeiro. Não despendem o mesmo esforço para uma creche, uma escola, um posto de saúde (sei que em Santa Maria tem tudo isso, mas é apenas para registrar que as comunidades se unem para exigir o que criticam, quando é dado).

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

São Paulo recebe indenizações de bancos estrangeiros por desvios de Maluf

Maluf é acusado, julgado, punido, mas sempre está livre, leve e solto
A prefeitura de São Paulo receberá US$ 10 milhões do banco suíço UBS Zurique e US$ 15 milhões do Citibank, de Nova York, a título de indenização, e ficam livres de ação judicial envolvendo o ex-prefeito da capital Paulo Maluf, uma vez que os dois bancos foram usados nas movimentações de recursos desviados naquela gestão (1993-1996).
Segundo o promotor Silvio Marques, “trata-se de uma compensação pelo dano moral coletivo sofrido pela população paulistana. Os dois bancos não reconheceram culpa, mas foram extremamente corretos quando apresentamos as provas dos desvios realizados por Paulo Maluf e outras pessoas, entre 1993 e 1998”.
A prefeitura e o Ministério Público (MP) assinaram nesta sexta-feira (13) termos de ajustamento de conduta com os dois bancos. O acordo será homologado pelo Conselho Superior do Ministério Público e pela Justiça de São Paulo, e a partir do acordo, os bancos terão prazo de 30 dias para os depósitos.
A administração municipal receberá 90% dos recursos. O restante ficará nos cofres do estado, para cobrir gastos que o MP teve com a investigação, e também para o Fundo Estadual de Interesses Difusos de São Paulo.
Fernando Haddad, prefeito da capital paulista, disse em nota que “nossa política de combate à corrupção teve mais uma vitória. Estamos conseguindo mais um acordo com bancos que foram, inadvertidamente ou não, utilizados para a remessa de recursos para o exterior”. Segundo ele, a prefeitura concorda em usar os recursos para o Parque Augusta ou para cheches, dependendo da viabilidade jurídica do primeiro empreendimento.
Em dezembro de 2014, a prefeitura recebeu do banco alemão Deutsche Bank o montante de R$ 46,8 milhões, também como indenização por movimentação de dinheiro desviado na gestão Maluf. O valor, segundo a prefeitura, será destinado à construção de creches na capital paulista.
Além disso, a prefeitura venceu uma ação na Ilha de Jersey contra Paulo Maluf, que resultou em condenação no valor de cerca de US$ 33 milhões. Do total, já foram depositados US$ 10 milhões, os outros US$ 23 milhões dependem apenas da conversão em dinheiro das ações bloqueadas da empresa Eucatex (de propriedade da família Maluf) na Ilha de Jersey, para que a prefeitura receba.
A impressão que se tem é que Maluf ri do nosso povo

A assessoria de imprensa de Maluf informou que o dinheiro movimentado não é do ex-prefeito, e assegura que ele nunca teve conta no exterior.
(Matéria do Jornal do Brasil com fotos da rede virtual)